Desastre atingiu comunidades e infraestrutura na região montanhosa, onde equipes procuram moradores e turistas desaparecidos - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Pelo menos 95 pessoas morreram após uma avalanche de lama, pedras e gelo provocar uma inundação de grandes proporções na região montanhosa de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território controlado pela China, nesta quarta-feira (26). Centenas de pessoas continuam desaparecidas, entre elas ao menos 341 turistas estrangeiros, enquanto equipes de resgate tentam chegar às áreas mais afetadas.
A força da água destruiu casas, estradas, veículos, pontes e estruturas de geração de energia no distrito nepalês de Rasuwa. Imagens gravadas por câmeras de segurança no lado chinês da fronteira mostram moradores correndo antes de uma enorme corrente de lama, pedras e água atingir construções na região.
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As autoridades ainda investigam a origem do desastre. O Centro Alemão de Pesquisa em Geociências registrou um terremoto de magnitude 4,4 cerca de sete minutos antes do horário indicado nas imagens de segurança. Segundo uma análise preliminar de imagens de satélite, uma avalanche de neve e rochas teria atingido o rio Lhende, provocando uma enxurrada carregada de detritos.
Veja o momento da avalanche no Nepal
Pelo menos 380 pessoas desaparecidas após enchente repentina atingir região próxima à fronteira Nepal-Tibete. pic.twitter.com/h8TcW1PgsI
— Portal André Silva (@portalandresilv) August 26, 2026
O governo do Nepal informou que os corpos de 95 vítimas já foram recuperados. Outras 65 pessoas recebiam atendimento médico em hospitais da região e também na capital, Katmandu. Entre os desaparecidos estão mais de 100 cidadãos indianos, três americanos e 12 britânicos. A Coreia do Sul informou separadamente que oito de seus cidadãos, que trabalhavam em uma usina hidrelétrica, também estão desaparecidos.
O trabalho de busca é dificultado pelas condições climáticas e pelo nível elevado dos rios. Helicópteros de resgate não conseguiram pousar em algumas das localidades atingidas, entre elas Syapru Besi e Timure. Moradores de áreas próximas ao rio Bhote Koshi foram orientados a deixar as margens e procurar regiões mais altas.

Especialistas também alertaram para o risco de uma nova inundação. Um bloqueio formado por detritos ainda permanece na parte superior do rio, na fronteira entre os dois países. Caso essa barreira se rompa, uma nova onda de água poderá atingir comunidades localizadas rio abaixo.
Do lado chinês, o deslizamento atingiu a passagem de Gyirong, importante ponto de ligação com o Nepal. Segundo a imprensa estatal, estradas, redes de comunicação e o fornecimento de energia foram afetados. A China mobilizou mais de 600 profissionais, além de veículos, cães farejadores e equipamentos para procurar sobreviventes.
A preocupação também chegou à Índia. Como rios
que descem do Himalaia atravessam o Nepal antes de seguir para o território indiano, alertas de inundação foram emitidos nos estados de Bihar e Uttar Pradesh. Em Bihar, cerca de 5 mil pessoas já haviam sido retiradas de áreas consideradas vulneráveis, e novas evacuações estavam previstas.
O Bhote Koshi nasce no Tibete e segue pelo Nepal antes de suas águas chegarem à Índia. A região já havia sido atingida por outra grande inundação no ano passado, quando nove pessoas morreram e 24 desapareceram após o transbordamento provocado pelo esvaziamento de um lago glacial.
