Preço médio nacional deve atingir US$ 4,03 por galão em meio à disparada do petróleo - Foto: Banco de Imagem / Magnific
A gasolina deve ultrapassar pela primeira vez a marca de US$ 4 por galão nos Estados Unidos durante o feriado do Dia do Trabalho, na próxima segunda-feira (7). A projeção da GasBuddy aponta preço médio nacional de US$ 4,03, em um momento de forte pressão sobre o mercado de energia provocada pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
O valor previsto supera o recorde anterior para o feriado, de US$ 3,83 por galão, registrado em 2012. Na quinta-feira (3), a média nacional já estava em aproximadamente US$ 4,13, quase US$ 1 acima do preço observado no mesmo período do ano passado.
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Segundo o analista Patrick De Haan, da GasBuddy, o patamar projetado não representa o maior preço da gasolina já registrado nos Estados Unidos, mas é inédito para esta época do ano. A marca de US$ 4 é considerada especialmente sensível para os consumidores, por ter impacto direto nos gastos das famílias.
Petróleo acima de US$ 90
A escalada dos combustíveis acompanha a valorização do petróleo bruto, que voltou a superar US$ 90 por barril nesta semana. O movimento ocorre após novas ações militares envolvendo Estados Unidos e Irã reacenderem os temores de interrupções no fornecimento mundial.
Como o petróleo bruto representa o principal custo da produção de combustíveis, alterações na cotação internacional tendem a ser repassadas aos postos. Os preços do diesel e de outros derivados também avançaram, em parte devido às preocupações provocadas pelos ataques contra instalações de refino na Rússia.
O cenário preocupa especialmente porque o Dia do Trabalho marca tradicionalmente o último grande período de viagens do verão americano. Com a gasolina mais cara, consumidores em diferentes regiões dos Estados Unidos vêm reduzindo deslocamentos, viagens de lazer e outros gastos relacionados ao uso do carro.
Pressão aumenta sobre Trump
A alta dos combustíveis também tem dimensão política. A gasolina é um dos preços mais visíveis para os consumidores americanos e pode influenciar a percepção sobre a situação econômica do país.
A escalada ocorre enquanto começam a ganhar força as campanhas para as eleições legislativas de meio de mandato, aumentando a importância do tema para o governo Donald Trump e para o Partido Republicano.
Trump chegou ao poder prometendo reduzir os custos de energia e, nas últimas semanas, passou a criticar refinarias e empresas varejistas de combustíveis pelos preços cobrados nos postos. Em 14 de agosto, porém, o presidente afirmou que os americanos deveriam aceitar pagar “um pouquinho mais” pela gasolina para impedir que o Irã obtivesse uma arma nuclear.
Com os preços permanecendo acima de US$ 4 durante boa parte do ano, o custo dos combustíveis se consolidou como uma preocupação persistente para o governo.
Exportações também entram no debate
Outro fator levantado no debate sobre os preços é o aumento das exportações americanas de petróleo e combustíveis.
De acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos, as exportações de produtos refinados cresceram mais de 10% em relação ao ano passado. O aumento ocorreu depois que outros países passaram a recorrer ao mercado americano em busca de combustível diante das dificuldades de abastecimento provocadas pela guerra.
A situação alimenta a percepção entre consumidores de que parte da produção energética americana está sendo direcionada ao mercado externo justamente quando os preços domésticos estão em alta.
Consumidores cortam gastos
O impacto dos preços já aparece no comportamento das famílias. Com a gasolina mais cara e outros custos do cotidiano pressionando os orçamentos, motoristas estão limitando o valor destinado ao abastecimento e reduzindo deslocamentos considerados não essenciais.
Viagens tradicionais do feriado, como passeios de carro para praias e outras cidades próximas, também passaram a ser revistas. O aumento do combustível encarece não apenas o trajeto, mas toda a programação associada às viagens.
Os estados do Colorado, Utah, Idaho, Montana, Wyoming e Dakota do Norte estão entre os que registraram alguns dos maiores aumentos desde o início da guerra. Califórnia, Havaí e Washington apresentam atualmente as maiores médias de gasolina do país.
A combinação entre petróleo mais caro, riscos de interrupção do abastecimento internacional e aumento das exportações de derivados mantém o mercado americano sob pressão. Para os consumidores, a marca de US$ 4 por galão chega justamente em um dos principais períodos de deslocamento do ano e pode transformar o custo do combustível em um dos temas econômicos mais sensíveis da temporada eleitoral.
