Rapper conseguiu habeas corpus e poderá responder em liberdade a processo que envolve suposta lavagem de dinheiro - Foto: Instagram
O rapper Oruam deixou de ser considerado foragido da Justiça nesta quarta-feira (23), após a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) conceder, por unanimidade, um habeas corpus e revogar sua prisão preventiva. A decisão levou em consideração questionamentos apresentados pela defesa sobre a consistência das provas utilizadas na investigação que apura uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho.
O colegiado acompanhou o voto do relator, desembargador Marcius da Costa Ferreira, durante sessão virtual. Com a decisão, o artista poderá responder em liberdade ao processo que tramita na 1ª Vara Criminal Especializada da Capital. O acórdão ainda será publicado.
A defesa de Oruam contestou principalmente a forma como os dados de um celular apreendido durante a investigação foram disponibilizados aos advogados. Segundo os defensores, a polícia não teria fornecido a íntegra dos dados originais extraídos do aparelho, mas apenas um relatório com parte das informações processadas por um programa utilizado na investigação.
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Os advogados também apontaram divergências nos tamanhos dos arquivos relacionados à extração. De acordo com a defesa, o material disponibilizado para análise teria 214 GB, enquanto um relatório de extração mencionaria um arquivo de origem de 429 GB. Em outro documento do inquérito policial, porém, a extração do aparelho aparece registrada com aproximadamente 646 GB.
Para a defesa, essas diferenças colocam em dúvida a integridade e a completude do material usado na acusação. O questionamento foi levado à Justiça no pedido de habeas corpus que resultou na revogação da prisão preventiva.
Em nota, os advogados afirmaram que Oruam e sua defesa sempre confiaram na Justiça e disseram que a liberdade do artista seria restabelecida.
“O próximo resultado esperado é o trancamento desta ação penal, formada inteiramente por provas ilícitas, conforme atestado em laudo pericial”, afirmou o advogado Thiago Lemos.
O que levou Oruam a ser considerado foragido
O rapper passou a ser considerado foragido em fevereiro de 2026, depois que a Justiça decretou sua prisão preventiva por supostos descumprimentos reiterados de medidas cautelares.
Segundo os autos, foram registradas diversas violações relacionadas ao uso da tornozeleira eletrônica, incluindo episódios em que o equipamento teria ficado descarregado, desligado ou inoperante.
A prisão foi determinada depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou um habeas corpus que mantinha Oruam em liberdade. Após a expedição do mandado, equipes da Polícia Civil fizeram diligências em endereços ligados ao artista, mas não conseguiram localizá-lo.
Havia ainda um segundo mandado de prisão relacionado a outro processo, o que também contribuía para a condição de procurado.
Lavagem de dinheiro
O processo em que Oruam é réu não trata diretamente de uma acusação de tráfico de drogas. A investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) apura uma suposta estrutura utilizada para ocultar e reinserir na economia formal recursos atribuídos ao Comando Vermelho.
Segundo a investigação, pessoas físicas e empresas teriam sido utilizadas para movimentar patrimônio e dar aparência legal aos valores. Entre os denunciados está Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam.
O rapper é acusado nesse processo ao lado do pai e de outros investigados.
A revogação da prisão preventiva, no entanto, não encerra a ação penal. O habeas corpus também não representa uma absolvição. O processo continua e a Justiça ainda deverá analisar as provas, ouvir testemunhas e avaliar as acusações apresentadas pelo Ministério Público.
Oruam responde a outros processos
Além da investigação sobre suposta lavagem de dinheiro, Oruam também responde a outros processos na Justiça do Rio.
Um dos casos envolve uma operação da Polícia Civil realizada na residência do rapper, no Joá, na Zona Oeste do Rio. Durante o cumprimento de mandados, policiais foram atacados com pedras.
O Ministério Público denunciou o artista por tentativa de homicídio qualificado, sustentando que uma pedra de quase cinco quilos teria sido arremessada contra os agentes.
Em agosto, porém, a Justiça entendeu que não havia elementos suficientes para afirmar que Oruam foi o responsável por lançar especificamente a pedra descrita na denúncia. Essa parte do caso foi desmembrada e encaminhada para uma vara criminal comum.
O rapper também responde, em processos distintos, por acusações de ameaça, dano qualificado, resistência, desacato e lesão corporal.
Com a decisão desta quarta-feira, Oruam poderá acompanhar esses processos em liberdade, sem a prisão preventiva que o mantinha na condição de foragido.
