Prisão aconteceu após o trânsito em julgado da condenação de 10 anos e 8 meses - Foto: Reprodução
Após ser considerada foragida pela Justiça, a empresária e ex-vereadora Veronica Costa (PL), conhecida como Mãe Loira do Funk, foi presa na noite desta quinta-feira (24), em Araras, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio.
A captura foi realizada por agentes da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (Polinter), após um trabalho de inteligência para localizar a ex-vereadora. Veronica foi condenada a 10 anos e 8 meses de prisão por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa.
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A operação também levou à prisão de três familiares envolvidos no mesmo processo: Bruno Chaves Ribeiro, irmão de Veronica, condenado a 10 anos e 8 meses; Tatiane Chaves Ribeiro, irmã da ex-vereadora; e Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane e cunhado de Veronica.
O padrasto da ex-vereadora, Sebastião de Oliveira Evangelista, também foi condenado no processo, mas continua foragido. Ele recebeu pena de 10 anos de prisão. Segundo a Polícia Civil, os quatro presos foram localizados após diligências e um trabalho de inteligência desenvolvido pela Polinter.
Após a condenação definitiva de Veronica Costa e a prisão da ex-vereadora, Márcio Costa se manifestou sobre o desfecho do processo. O ex-marido afirmou que a decisão não representa uma comemoração, mas um sentimento de alívio após anos de espera.
“Sou o Márcio Costa, a pessoa que a Verônica Costa torturou. Não é comemoração. É alívio. Esperei tempo demais por esse momento. Foram anos carregando em silêncio uma dor que não passa, uma ferida que não se apaga. Hoje, com a palavra final da Justiça, eu não celebro, apenas respiro. Que a verdade permaneça e que a dor de tantos anos não seja em vão”, desabafou.
Foragida
A prisão ocorreu um dia depois de uma tentativa de cumprir o mandado na residência de Veronica, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.
Na quarta-feira (23), policiais civis estiveram no imóvel, mas não encontraram a ex-vereadora. A partir de então, ela passou a ser considerada foragida pela Justiça.
A ordem de prisão foi determinada pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal, após o processo chegar ao trânsito em julgado, quando se encerram as possibilidades de recurso.
Condenação
A condenação da ex-vereadora passou por uma mudança importante ao longo do processo. Em primeira instância, a pena havia sido estabelecida em 5 anos e 10 meses de prisão.
Em 2023, após recurso apresentado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aumentou a pena para 10 anos e 8 meses.
Os desembargadores determinaram que Veronica cumprisse inicialmente a pena em regime fechado e mantiveram a perda do mandato de vereadora, medida determinada pela 16ª Vara Criminal em 2019.
Na mesma decisão, as penas dos demais réus também foram definidas. Bruno Chaves Ribeiro recebeu 10 anos e 8 meses de prisão. Tatiane Chaves Ribeiro, Bruno Marcelo Bahia Marques e Sebastião de Oliveira Evangelista foram condenados a 10 anos cada.
As defesas dos réus apresentaram recursos, mas os pedidos foram rejeitados pelos desembargadores.
Relembre o caso
O caso veio à tona em fevereiro de 2011, quando Márcio Costa procurou a Polícia Civil para denunciar as agressões que afirmou ter sofrido.
Segundo o depoimento, ele foi amarrado e amordaçado na cama do próprio quarto. Márcio afirmou que a tortura durou cerca de 20 horas.
Ainda de acordo com o relato, parentes de Veronica teriam jogado spray inseticida em seu rosto e derramado gasolina sobre seu corpo. O ex-marido também afirmou que foi ameaçado de ser queimado vivo.
A primeira condenação ocorreu em 2019. O processo seguiu na Justiça até 2023, quando a pena de Veronica foi elevada para 10 anos e 8 meses e as penas dos demais envolvidos foram definidas.
Com o trânsito em julgado e o fim das possibilidades de recurso, os mandados de prisão foram cumpridos. Veronica, que não havia sido encontrada na Barra da Tijuca, acabou localizada pela Polinter em Araras, em Petrópolis, na noite desta quinta-feira (24).
