Evento tem Ana Maria Gonçalves como homenageada e segue até domingo (27) - Foto: Divulgação / ABL
A literatura negra e as histórias de mulheres que ajudaram a transformar gerações estão no centro da 16ª edição da Festa Literária das Periferias (Flup), que ocupa a região central do Rio de Janeiro até domingo (27). A programação acontece na Praça Tiradentes e no Teatro Carlos Gomes.
Com o tema “As Filhas das Filhas das Filhas”, o festival deste ano coloca em evidência o feminismo negro e as heranças deixadas por mulheres ao longo das gerações. A escritora Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL), é a homenageada da edição.
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Segundo a organização, a proposta é estimular reflexões sobre histórias que resistiram ao apagamento e sobre mulheres que foram responsáveis não apenas pela formação de famílias, mas também pela construção de comunidades, conhecimentos, linguagens, territórios e novos futuros.
Para o diretor da Flup, Julio Ludemir, o tema escolhido está relacionado ao avanço das ações afirmativas no Brasil. “Nos remete à grande revolução em curso no Brasil, decorrente das ações afirmativas”, disse.
Ludemir também cita trajetórias de mulheres negras que tiveram entre seus antepassados trabalhadoras domésticas. Entre os exemplos mencionados por ele está a escritora e filósofa Djamila Ribeiro.
Personagem de Ana Maria Gonçalves ganha destaque
Durante a apresentação do tema, o diretor também fez referência à personagem Kehinde, protagonista do livro “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves.
Segundo Ludemir, a personagem representa a capacidade de mulheres negras brasileiras de construir caminhos de autonomia e transformação.
“A Kehinde, grande personagem da Ana Maria Gonçalves [no livro Um Defeito de Cor], se libertou através de uma capacidade extraordinária de empreender muito própria das mulheres negras brasileiras.”
Para ele, “As Filhas das Filhas das Filhas” representa uma homenagem às transformações provocadas pelas ações afirmativas ao longo de uma geração.
Homenagem à escritora
A escolha de Ana Maria Gonçalves como homenageada também acompanha a trajetória da Flup em torno do feminismo negro. Ludemir considera a autora responsável pelo livro mais importante da história da literatura brasileira e relaciona o reconhecimento dela à eleição para a Academia Brasileira de Letras.
“Não à toa, ela foi a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras.”
O diretor ainda afirmou que, desde 2018, a Flup passou a se aproximar cada vez mais das discussões relacionadas ao feminismo negro. “Desde 2018, a Flup tem sido cada vez mais ligada ao feminismo negro, que é a grande novidade política, cultural, artística, sociológica, que está mudando a sociedade a partir da sua base”, completou.
