Novo espaço em São Paulo nasceu de um projeto iniciado há três anos e celebra ancestralidade, afeto e gastronomia - Foto: Instagram / Bela Gil
A memória de Preta Gil ganhou um novo endereço em São Paulo, e com sabor de comida brasileira. A chef Bela Gil inaugurou o Preta Maria, restaurante dedicado à culinária afro-brasileira dentro do Mata São Paulo, no complexo Cidade Matarazzo, na capital paulista. O espaço nasceu de um projeto que começou há três anos e também celebra a contribuição dos povos africanos para a formação da gastronomia brasileira.
A ideia surgiu quando Bela percebeu que a arquitetura e o estilo do empreendimento tinham características que remetiam à irmã. Ainda durante a internação de Preta, a chef contou a ela que pretendia batizar o restaurante com seu nome. A cantora, que morreu em 2025, recebeu a homenagem com emoção.
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Apesar do nome, Preta não aparece no cardápio em forma de um prato específico. Para Bela, a homenagem está principalmente no conceito do espaço e na relação com a cultura negra e o combate ao racismo.
“Ela estava no hospital, e eu disse que queria colocar o nome dela neste novo empreendimento. Ela ficou feliz, emocionada”, contou a chef em entrevista ao O Globo.
Segundo Bela, Preta mantinha uma ligação forte com os movimentos negro e antirracista. Por isso, o restaurante também busca carregar características que faziam parte da personalidade da cantora, como acolhimento e generosidade.
Bela fala sobre os sabores
O cardápio do Preta Maria parte de diferentes tradições da diáspora africana e recupera ingredientes importantes para a construção da cozinha brasileira. Dendê, quiabo, feijões, cará e banana-da-terra aparecem entre os produtos utilizados pela chef.
Entre os pratos estão a moqueca de banana-da-terra, por R$ 75; o mafé de legumes, frango e espuma de coco, por R$ 80; e o acarajé e abará, que custam R$ 75.
Bela destaca que a influência africana na gastronomia brasileira não está apenas nos ingredientes, mas também nas técnicas e na maneira de preparar e compartilhar os alimentos.
“A relação entre a culinária brasileira e africana está nas técnicas, nos pilados, ensopados, frituras, na forma de combinar alimentos e de compartilhar a comida. As mulheres trouxeram para o Brasil tecnologia culinária, social e ancestral”, afirmou.
O chef João Diamante, do Dois de Fevereiro, também definiu o novo restaurante como um espaço que vai além da alimentação. Para ele, o Preta Maria reúne memória, afeto, educação, ancestralidade e ressignificação por meio da gastronomia.
A proposta, segundo Diamante, não significa apagar o passado ou tratá-lo apenas com nostalgia, mas reconhecer e estudar essa história para levá-la ao presente e contribuir para a construção de um futuro diferente.
