Deputado estadual eleito foi preso na 8ª fase da Operação Unha e Carne - Foto: Divulgação / Prefeitura de Belford Roxo
A Polícia Federal (PF) aponta o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) como uma das principais peças de articulação política de uma organização criminosa suspeita de movimentar R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. Segundo a investigação, o grupo teria atuado em um esquema envolvendo lavagem de dinheiro, corrupção, cartel no setor de combustíveis e infiltração em órgãos públicos no Rio de Janeiro. Canella foi preso nesta quinta-feira (15), durante a 8ª fase da Operação Unha e Carne.
As suspeitas contra o parlamentar constam em uma representação encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, a PF solicitou a prisão preventiva de Canella e de outros cinco investigados, entre eles Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil do Rio.
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De acordo com os investigadores, o deputado exerceria a função de intermediário entre o núcleo político da organização, empresários ligados ao mercado de combustíveis e agentes públicos. A corporação o descreve como o “patrono político e articulador de alto escalão” do grupo, com atuação considerada estratégica para a manutenção das atividades investigadas.
A apuração teve início após o recebimento, pela PF, de um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento identificou movimentações consideradas suspeitas e apontou que a rede investigada teria movimentado bilhões de reais ao longo de seis anos, por meio de empresas e postos de combustíveis distribuídos pelo estado.
Indicação para a Polícia Civil
A investigação também atribui a Canella participação na articulação política que levou Marcus Amim à presidência do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ) e, posteriormente, ao comando da Polícia Civil. Conforme a representação, o deputado teria atuado para viabilizar as nomeações, inclusive por meio de mudanças legislativas consideradas necessárias para permitir a escolha do delegado.
Outro conjunto de elementos citado pela PF envolve documentos apreendidos na 6ª fase da Operação Unha e Carne. Segundo os investigadores, os registros contêm referências a repasses financeiros identificados pela sigla “Canela”, além de anotações sobre a distribuição de recursos provenientes de postos de combustíveis associados ao grupo.
Para a corporação, esses documentos, somados a vínculos empresariais, movimentações financeiras consideradas suspeitas e relações com outros investigados, indicariam que o parlamentar poderia ter recebido valores provenientes do núcleo econômico da organização. A PF sustenta que sua atuação ajudaria a garantir sustentação política ao esquema.
Divisão de tarefas
A representação descreve uma estrutura organizada em diferentes núcleos, com divisão de funções entre operadores financeiros, empresários e agentes públicos. O objetivo, segundo a investigação, seria ocultar a origem de recursos ilícitos e manter influência sobre órgãos responsáveis pela fiscalização e pela apuração de crimes.
No documento enviado ao STF, os investigadores afirmam que Canella ocupava uma “posição de convergência entre núcleos político e empresarial”. A avaliação da PF é de que essa posição teria permitido ao deputado atuar como elo entre os interesses econômicos do grupo e sua articulação com agentes públicos.
As conclusões integram a investigação sobre a suposta organização criminosa. As acusações ainda dependem da análise judicial, e os elementos reunidos pela polícia não representam, por si só, uma condenação dos envolvidos.
Após a prisão, Canella declarou: “Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido”.
A defesa de Marcus Amim informou que não se manifestará até ter acesso aos autos do processo. O Portal não conseguiu localizar os contatos dos demais citados. O espaço segue aberto para manifestações.
