Defesa do senador quer conferir as informações apresentadas por Lula antes de liberar os próprios dados bancários e telefônicos - Foto: Divulgação / Campanha Flávio Bolsonaro / Vittor Sales
A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre a divulgação de informações bancárias e telefônicas ganhou um novo impasse nesta quinta-feira (22). A defesa do senador afirmou que só apresentará os documentos necessários para a abertura de seus sigilos depois de conferir o material entregue pelo presidente. Os petistas, por sua vez, exigem que os dois lados cumpram o compromisso ao mesmo tempo.
A advogada de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri, declarou que a documentação do senador já está reunida, mas que a entrega depende da verificação dos dados apresentados pela campanha adversária. Segundo ela, a medida busca garantir que todas as condições estabelecidas sejam cumpridas.
“Não é nem condição, é porque a transparência não pode ser pela metade”, afirmou a advogada.
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Questionada sobre o prazo para a apresentação dos documentos, Bucchianeri disse que a entrega poderá ocorrer imediatamente após a conferência do material de Lula. A defesa pretende identificar possíveis inconsistências nas informações fornecidas pelo presidente.
“Se a gente confirmar que tudo que ele se comprometeu ele trouxe, será imediatamente”, declarou.
Campanhas levam exigências ao TSE
O prazo para as duas candidaturas apresentarem as autorizações termina às 23h59 desta quinta-feira. Após o recebimento dos documentos, caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), avaliar os pedidos e decidir sobre a liberação das informações.
As equipes jurídicas de Lula e Flávio assinaram uma petição na qual os candidatos autorizam o levantamento imediato de dados próprios e de seus familiares. No caso do senador, a autorização abrange todas as contas bancárias mantidas no Brasil e no exterior, além da empresa Alcazar Holdings.
A campanha de Flávio contou com a presença de Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-procurador da República e senador eleito, no TSE nesta manhã. Ele acompanhou a advogada Bucchianeri durante o protocolo da documentação apresentada pela candidatura adversária.
Pelo lado petista, o senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha presidencial, compareceu ao tribunal para formalizar a resposta às condições impostas por Flávio. A equipe de Lula sustenta que os documentos dos dois candidatos devem ser entregues simultaneamente e afirma que não disponibilizará o material enquanto o adversário não fizer o mesmo.
Entenda a origem da disputa
O confronto começou durante o debate da Band, no último domingo, quando Lula desafiou Flávio a divulgar informações bancárias e telefônicas para esclarecer suspeitas de corrupção.
Na quarta-feira (21), o senador apresentou ao TSE uma lista com 19 exigências para aceitar a proposta. Entre os pedidos estão dados bancários e fiscais de empresas ligadas aos filhos do presidente, registros de encontros de Lula com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e informações sobre a lobista Roberta Luchsinger.
A lista também inclui despesas do cartão corporativo da Presidência da República, informações sobre voos da Força Aérea Brasileira (FAB), visitas aos palácios presidenciais e reuniões de pessoas próximas ao governo com autoridades.
Ainda na quarta-feira, a campanha petista anunciou que aceitaria todas as condições. Camilo Santana afirmou que a resposta seria protocolada no TSE nesta quinta e acusou o adversário de tentar escapar do desafio lançado pelo presidente.
“O presidente da República não tem absolutamente nada a se opor em relação a tudo que ele colocou como condicionante”, declarou o senador.
