Advogada afirma ter conhecimento de 36 mães que perderam os filhos e aponta suspeita de infecção hospitalar - Foto: Divulgação / Salvalus
A morte de bebês internados no Hospital Salvalus, na Mooca, Zona Leste de São Paulo, entrou na mira da Polícia Civil. Um inquérito foi aberto para apurar seis óbitos, enquanto familiares de outras crianças também relatam casos semelhantes. Segundo a advogada Eduarda Fragnan Gomes, que representa parentes das vítimas, pelo menos 36 mães perderam os filhos na unidade nos últimos meses.
O caso é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás). De acordo com a advogada, ela mantém contato com 18 mães e representa judicialmente três famílias. Os casos sob sua representação ocorreram nos últimos seis meses.
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As suspeitas ganharam força depois que as mães começaram a compartilhar informações sobre as mortes. Ao comparar os relatos, as famílias identificaram possíveis semelhanças nas circunstâncias dos óbitos e levantaram a hipótese de infecções adquiridas durante a internação.
Segundo a advogada, os bebês podem ter sido contaminados por uma bactéria no hospital, com a possibilidade de transmissão entre pacientes. A suspeita, no entanto, ainda precisa ser confirmada pelas autoridades.
Entre os problemas de saúde mencionados em casos relatados pelo portal Metrópoles estão a sepse e o choque séptico, condições graves que podem estar associadas a infecções. A sepse ocorre quando a resposta do organismo a uma infecção provoca danos aos próprios tecidos e órgãos. Já o choque séptico é uma manifestação ainda mais grave, que pode comprometer a circulação sanguínea e colocar a vida em risco.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os casos, ocorridos em meses anteriores, chegaram ao conhecimento da polícia na quarta-feira (21). A pasta afirmou que as circunstâncias das mortes estão sendo investigadas.
A apuração prevê a coleta de depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise completa dos prontuários médicos. Os investigadores buscam esclarecer as causas dos óbitos e verificar se há relação entre as ocorrências, incluindo a possibilidade de infecções associadas à assistência hospitalar.
O Hospital Salvalus faz parte da rede Hapvida. Em posicionamento, a empresa afirmou que os pacientes citados apresentavam condições clínicas diferentes e de elevada gravidade. Segundo a rede, todos receberam assistência contínua e multidisciplinar, com participação de profissionais de diversas especialidades.
A empresa também declarou que os tratamentos foram definidos individualmente, conforme as necessidades e a evolução clínica de cada paciente. A Hapvida acrescentou que a diretoria de acolhimento do hospital mantém um canal aberto para conversar com as famílias e prestar esclarecimentos, respeitando a privacidade dos pacientes e o sigilo médico.
A investigação deverá determinar o que provocou cada uma das mortes apuradas e se existe alguma ligação entre os casos. Até o momento, a hipótese de infecção hospitalar permanece sob investigação, sem confirmação oficial de que tenha causado os óbitos.
