Plano de redução de custos aumenta a tensão entre a fabricante alemã e os trabalhadores - Foto: Divulgação / Volkswagen
A Volkswagen poderá enfrentar uma onda de greves a partir de janeiro caso não volte atrás na decisão de cancelar acordos salariais com trabalhadores na Alemanha. O sindicato IG Metall deu até o fim de outubro para que a fabricante restabeleça os compromissos, que incluem regras sobre jornada de trabalho e pagamento de férias.
O impasse ganhou força após a empresa encerrar, no mês passado, praticamente todos os acordos coletivos mantidos com os funcionários alemães. A medida abriu caminho para a renegociação de condições trabalhistas históricas e aumentou a tensão entre a direção da montadora e os representantes dos empregados.
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Durante uma nova rodada de negociações realizada na sexta-feira (23), em Hanover, o principal negociador do IG Metall, Thorsten Groeger, afirmou que a falta de uma solução poderá desencadear um movimento de paralisações. Uma trégua vigente impede a realização de greves antes de 1º de janeiro.
Segundo o sindicato, a Volkswagen manteve a decisão de cancelar os acordos após o encontro, o que levou os representantes dos trabalhadores a se prepararem para um possível confronto no início do próximo ano.
A disputa ocorre em meio a um amplo plano de reestruturação da fabricante alemã. A empresa pretende eliminar 100 mil postos de trabalho e considera fechar até quatro fábricas no país. A iniciativa busca responder à concorrência acirrada de montadoras chinesas, aos custos bilionários com tarifas comerciais e aos investimentos necessários para a transição para veículos elétricos.
A Volkswagen também estabeleceu uma meta de reduzir em 20 bilhões de euros, cerca de R$ 113 bilhões, os custos ao longo de sua cadeia de valor até 2030. Além disso, a companhia prevê diminuir as despesas gerais em outros 11 bilhões de euros.
A direção da montadora afirma que a situação econômica piorou significativamente desde a conclusão de um acordo coletivo voltado ao futuro da empresa, firmado no fim de 2024. Para o executivo Arne Meiswinkel, a deterioração do cenário tornou necessárias novas medidas para reduzir despesas e preservar a competitividade.
O conselho de trabalhadores, por sua vez, informou que a diretoria da Volkswagen planeja congelar os salários de 660 mil funcionários em todo o mundo até 2030. A presidente do órgão, Daniela Cavallo, cobrou participação da alta administração na busca por uma saída para a crise e destacou que parte das dificuldades já poderia ser prevista.
As negociações oficiais sobre os acordos cancelados estão previstas para começar em 24 de novembro, na unidade de Emden, e continuar em 15 de dezembro, em Zwickau. Entre as possibilidades discutidas pela empresa estão programas de transição profissional, com apoio da agência federal de emprego alemã, para qualificar trabalhadores e ajudá-los a encontrar vagas fora da Volkswagen.
