Resultado do terceiro trimestre fica muito abaixo das previsões e amplia os desafios para recuperar a montadora - Foto: Divulgação / Volvo
A crise financeira da Volvo Cars ganhou novos contornos nesta sexta-feira (23). As ações da montadora sueca despencaram 24% após a divulgação de resultados muito piores do que o esperado no terceiro trimestre de 2026. Para tentar conter as perdas, a empresa anunciou o corte de mais 2,5 mil postos de trabalho, principalmente na Suécia, e informou que precisará reduzir outros 5 bilhões de coroas suecas em custos.
O resultado negativo levou os papéis da fabricante a uma nova mínima histórica. Controlada majoritariamente pelo grupo chinês Geely Holding, a Volvo enfrenta dificuldades para ampliar as vendas de veículos elétricos, além de sofrer com as tarifas comerciais e a concorrência acirrada no mercado chinês.
- Karol Conká celebra 25 anos de carreira com bloco no Carnaval paulista
- Volvo entra em crise e anuncia mais 2,5 mil demissões
- TSE nega expulsão de fiscais do PL durante apuração dos votos
- Ações da L’Oréal atingem maior valor em dois anos após balanço positivo
- Menina de 5 anos é baleada na perna em comunidade do Rio
Entre julho e setembro, a companhia registrou prejuízo operacional de 3,7 bilhões de coroas suecas, cerca de US$ 373 milhões. No mesmo período de 2025, havia obtido lucro de 5,8 bilhões de coroas suecas. A expectativa dos analistas consultados pelo Citi era de um prejuízo de 724 milhões de coroas suecas, bem inferior ao resultado apresentado.
A situação também se agravou no caixa da empresa. A Volvo consumiu 8,9 bilhões de coroas suecas durante o trimestre, o dobro do registrado no mesmo intervalo do ano passado. A margem bruta, indicador que mede a rentabilidade das vendas após os custos diretos, recuou de 20,4% para 14,7%.
Cortes e mudança de comando
O novo pacote de medidas deverá atingir cerca de 6% da força de trabalho da montadora. A redução será realizada por meio do encerramento de contratos de consultoria, da saída natural de funcionários e de programas de desligamento direcionado. Os cortes se somam aos 3 mil postos eliminados anteriormente.
Segundo o presidente-executivo, Hakan Samuelsson, as demissões deverão ser concluídas até meados de 2027. Ele não descartou novas medidas caso a situação continue se deteriorando.
Samuelsson retornou da aposentadoria em 2025, com um contrato de dois anos, para conduzir a recuperação da fabricante. Apesar das medidas de contenção de despesas e da aproximação com a Geely, o desempenho da companhia segue abaixo das expectativas.
O executivo será sucedido no próximo ano por Klaus Zellmer, ex-chefe da Skoda. O futuro presidente-executivo terá o desafio de recuperar a rentabilidade de uma das marcas mais tradicionais da indústria automobilística europeia em meio a um cenário de pressão sobre as margens e excesso de capacidade produtiva.
Carro elétrico sofre com atrasos

Um dos principais projetos da recuperação da Volvo também enfrenta obstáculos. O EX60, novo SUV elétrico que terá papel estratégico na retomada da empresa, sofreu atrasos devido a problemas na montagem das baterias.
A montadora informou que apenas cerca de 5 mil unidades foram produzidas até o momento, diante de uma previsão de 40 mil veículos para este ano. O modelo é a versão elétrica do XC60, um dos principais sucessos comerciais da marca.
A dificuldade ocorre em um momento de disputa intensa no setor de carros elétricos, especialmente contra fabricantes chinesas que pressionam os preços. A Volvo decidiu priorizar as margens de lucro na China em vez de entrar em uma guerra de preços com concorrentes locais.
Neste mês, a empresa também retirou as projeções para o volume de vendas e o fluxo de caixa de 2026, diante da piora das condições de mercado. A receita do terceiro trimestre caiu quase 50%, segundo os dados divulgados pela companhia.
China e tarifas pressionam a montadora
A dificuldade da Volvo acompanha um movimento mais amplo entre fabricantes europeias, que enfrentam demanda irregular, concorrência crescente de marcas chinesas e custos que reduzem a rentabilidade. A Volkswagen, por exemplo, planeja eliminar até 100 mil empregos e avalia o fechamento de unidades industriais.
Para Samuelsson, a fabricante precisa adaptar sua estratégia às particularidades de cada região. Seis dos 13 modelos que a Volvo pretende lançar até o fim da década serão desenvolvidos para o mercado chinês. O executivo, porém, não espera uma melhora significativa dos resultados no país antes da chegada desses veículos.
O presidente-executivo também reconheceu que a empresa poderia ter antecipado a necessidade de ampliar a produção regional na China e nos Estados Unidos, reduzindo a exposição às tarifas comerciais.
Apesar das dificuldades, a Volvo ainda dispõe de mais de 30 bilhões de coroas suecas em caixa. Analistas, no entanto, alertam que a continuidade da queima de recursos pode exigir uma nova injeção de capital. A expectativa é que o aumento da produção do EX60 ajude a melhorar os resultados, embora os atrasos no lançamento comercial ampliem as incertezas sobre a recuperação.
