Felipe Curi recebeu 1.763 votos em quatro zonas eleitorais que abrangem os complexos do Alemão e da Penha e bairros vizinhos - Foto: Instagram
Um ano depois da operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, nomes que estiveram diretamente ligados à ação conquistaram mandatos nas eleições de 2026. O ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi (PP), responsável pelo planejamento e pela execução da Megaoperação Contenção, foi o segundo candidato mais votado em quatro zonas eleitorais que abrangem os complexos do Alemão e da Penha e bairros vizinhos, com 1.763 votos.
Eleito deputado federal com 133.626 votos em todo o estado, Curi também ficou entre os 15 mais votados do Rio. Os dados, levantados pelo g1 com base nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consideram as zonas eleitorais 21, 161, 162 e 188. O recorte, porém, não representa exclusivamente os moradores das comunidades, já que inclui diferentes bairros da Zona Norte.
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Outros dois policiais ligados à operação também foram eleitos. O ex-secretário de Polícia Militar Marcelo de Menezes Nogueira, o Coronel Menezes (PL), conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), com cerca de 46,7 mil votos. Já o delegado Bernardo Leal (PP), que perdeu a perna direita após ser baleado durante os confrontos, recebeu 57.254 votos e também foi eleito deputado estadual.
Nas quatro zonas eleitorais, Curi recebeu 307 votos na zona 21, 215 na 161, 580 na 162 e 661 na 188. Menezes somou 147 votos, enquanto Leal recebeu 116. Juntos, os três tiveram 2.026 votos nas áreas analisadas.
Durante a campanha, Curi defendeu mudanças na legislação penal e relacionou sua experiência na Polícia Civil à decisão de ingressar na política. “O único caminho para mudar essa realidade é a política por meio de leis atualizadas e que realmente vão dar a resposta para a população”, afirmou.
Megaoperação
Realizada em 28 de outubro de 2025, a Megaoperação Contenção mobilizou cerca de 2,5 mil policiais civis e militares nos complexos do Alemão e da Penha. O balanço do governo estadual apontou 122 mortos, sendo cinco policiais e 117 pessoas apontadas como suspeitas de envolvimento com o tráfico. Também foram registrados 113 presos e 91 fuzis apreendidos.
A ação provocou repercussão nacional, críticas de organizações de direitos humanos e mudanças na rotina de moradores de diferentes regiões do Grande Rio. Curi negou que a operação tivesse sido planejada com objetivos eleitorais e afirmou que a experiência reforçou sua defesa de alterações nas leis para combater o crime organizado.
