Inflação em desaceleração fortalece aposta do mercado, mas ambiente econômico ainda inspira cautela - Foto: Pixabay
A expectativa do mercado financeiro está concentrada na reunião desta quarta-feira (5) do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve reduzir a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano. A projeção é respaldada pela maioria dos contratos negociados no mercado de Opções da B3 e coincide com as estimativas do Boletim Focus. Ainda assim, economistas avaliam que o espaço para novas reduções ficou mais limitado diante da combinação de incertezas fiscais, pressões inflacionárias e riscos no cenário internacional.
A possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual ganhou força após indicadores recentes mostrarem desaceleração da inflação. O IPCA-15 de julho veio abaixo das expectativas, enquanto medidas de inflação mais sensíveis à política monetária registraram os menores níveis em um ano. Para parte dos analistas, esse movimento indica que os juros elevados vêm produzindo os efeitos esperados sobre a atividade econômica e os preços.
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Apesar desse ambiente mais favorável, não há consenso sobre a continuidade do ciclo de flexibilização. Uma ala mais conservadora do mercado considera que o crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre demonstra resiliência da economia, reduzindo a necessidade de novos estímulos monetários. Além disso, especialistas alertam que qualquer deterioração da inflação, do câmbio ou das expectativas pode interromper rapidamente o processo de cortes.
Outro ponto de atenção está nas perspectivas para os próximos meses. A expectativa de impactos climáticos associados ao El Niño pode elevar os preços dos alimentos a partir de setembro. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho aquecido continua sustentando a inflação de serviços, considerada um dos principais desafios para o Banco Central.
O cenário das contas públicas também permanece no radar. Instituições financeiras apontam que o avanço da dívida pública e o aumento das emissões de títulos indexados à taxa Selic reforçam a necessidade de uma condução mais cautelosa da política monetária, principalmente para preservar a confiança dos investidores.
No exterior, a decisão recente do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, de manter os juros inalterados também influencia as projeções para o Brasil. Caso a autoridade monetária americana mantenha uma postura mais rígida, o diferencial de juros entre os dois países pode diminuir, reduzindo a atratividade dos ativos brasileiros e pressionando o câmbio. Esse movimento tende a elevar os custos de produtos importados e aumentar a inflação doméstica.
O que está em jogo na decisão do Copom
Além disso, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e a alta dos preços do petróleo seguem como fatores de risco. O ambiente de incerteza faz parte do mercado acreditar que a reunião desta semana pode marcar o encerramento do atual ciclo de cortes da Selic.
As projeções das principais instituições financeiras refletem essa divisão. Casas como Morgan Stanley e Fórum Investimentos esperam uma pausa nas reduções após agosto, enquanto JP Morgan e Itaú avaliam que ainda pode haver mais um corte na reunião de setembro, levando a taxa para 13,75%. Para esses analistas, a continuidade dependerá da evolução da inflação, da atividade econômica, do comportamento do câmbio e da situação fiscal.
Mesmo entre aqueles que defendem nova redução agora, prevalece a avaliação de que o Banco Central deverá manter um discurso cauteloso no comunicado após a decisão. A expectativa é de que a autoridade monetária evite antecipar os próximos passos e destaque que futuras mudanças na Selic dependerão da evolução dos indicadores econômicos.
