Presidente americano promete consequências econômicas para países que derem apoio ao governo iraniano - Foto: Divulgação / Casa Branca
Os Estados Unidos preparam um novo pacote de sanções contra o Irã que, segundo o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, será o mais severo já imposto pelo país. O anúncio ocorre em meio à pressão de Washington para encerrar um conflito que já dura quase seis meses e após o presidente Donald Trump ameaçar impor uma “guerra econômica” a Teerã e a países que ofereçam apoio ao governo iraniano.
Bessent afirmou nesta quinta-feira (20) que os detalhes das medidas serão apresentados na próxima segunda-feira. Segundo ele, a estratégia pretende combinar as sanções com o bloqueio naval imposto anteriormente pelos Estados Unidos.
“É um golpe duplo. Temos o bloqueio (ao Irã) e vamos impor as sanções mais duras da história”, disse o secretário em entrevista à CNBC.
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Na avaliação de Bessent, a intensificação da pressão financeira poderia reduzir a possibilidade de uma nova ofensiva militar de grande escala. “Se estamos exercendo a máxima pressão econômica, isso significa que provavelmente não haverá um reinício cinético em grande escala”, afirmou, usando uma expressão empregada para se referir ao uso da força militar.
O secretário também declarou que a política americana teria como objetivo provocar uma mudança no governo iraniano. “Isso vai funcionar no Irã e vamos derrubar esse regime. É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão”, acrescentou.
Petróleo reage às ameaças
As novas ameaças de Washington tiveram impacto sobre o mercado de petróleo. Os preços da commodity registraram nesta quinta-feira a maior alta em mais de três semanas, em meio às incertezas sobre o fornecimento de petróleo do Oriente Médio.
O conflito também colocou o Estreito de Ormuz no centro das preocupações internacionais. A passagem marítima, fundamental para o transporte de energia, movimentava cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo antes de fevereiro.
O Irã demonstrou capacidade de restringir a circulação de embarcações na região, aumentando os temores sobre os efeitos de uma interrupção prolongada do tráfego.
Estados Unidos e Irã chegaram a anunciar acordos de cessar-fogo em abril e junho, mas os dois entendimentos fracassaram em pouco tempo. As negociações tinham, entre outros objetivos, restabelecer a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz.
China entra no foco da disputa
Uma das principais dificuldades para a estratégia americana envolve a relação comercial entre Irã e China. Dados da consultoria Kpler referentes a 2025 indicam que mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã tem como destino o mercado chinês.

Questionado sobre a possibilidade de Washington adotar medidas contra empresas ou instituições chinesas que mantenham negócios com Teerã, Bessent afirmou que o assunto deverá ser tratado em conversas reservadas.
“Tenha em mente que os chineses obtêm 50% (de sua) energia do Golfo. Portanto, seria um grande favor para eles aderirem ao programa”, afirmou.
A embaixada da China em Washington, porém, criticou a estratégia americana. “Sanções e pressão não ajudam a resolver o problema”, afirmou um porta-voz. “A China exorta as partes envolvidas a adotarem medidas responsáveis e a resolverem a questão por meios políticos e diplomáticos”, acrescentou.
Trump ameaça países que ajudarem o Irã
A ofensiva econômica havia sido anunciada por Trump um dia antes. Em uma publicação nas redes sociais, o presidente americano prometeu uma “guerra econômica e isolamento em uma escala sem precedentes”.
Trump não apresentou quais medidas seriam adotadas nem especificou quais países poderiam ser atingidos. A ameaça, no entanto, incluiu governos e empresas que eventualmente forneçam apoio ao Irã.
“Qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de apoio vital ao Irã enfrentará, por sua vez, consequências econômicas tremendas”, escreveu.
A declaração ocorre enquanto Trump enfrenta pressão doméstica para encerrar o conflito. O aumento dos preços dos combustíveis tem afetado a popularidade do governo e pode representar um problema para o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
Irã chama sanções de “terrorismo econômico”
O governo iraniano rejeitou as novas ameaças americanas. Antes das declarações de Bessent, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou as medidas econômicas e comerciais impostas pelos Estados Unidos como “terrorismo econômico”.
Segundo o governo iraniano, as sanções não provocariam “nem mesmo a menor hesitação na determinação dos iranianos de salvaguardar a independência, a dignidade e a soberania nacional do país”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também acusou Trump de tentar desviar a atenção da população americana de problemas econômicos internos, como o aumento da dívida e das taxas de juros.
O Irã convive com sanções americanas há quase cinco décadas, desde a Revolução Islâmica de 1979. A nova estratégia anunciada por Washington, portanto, amplia uma política de pressão econômica que já se prolonga por gerações.
Apesar das declarações de Trump, ainda não está claro quais medidas serão efetivamente implementadas. O próprio histórico recente do presidente americano inclui anúncios nas redes sociais que posteriormente não foram executados exatamente nos termos apresentados inicialmente.
