Presença de árvores, parques e áreas verdes ganha importância diante do calor e das mudanças na vida urbana - Foto: Divulgação
A relação com o verde começa a ganhar outro peso na maneira como as cidades são pensadas e, consequentemente, na forma como as pessoas escolhem onde morar. No Brasil, apenas 45,5% dos moradores vivem em áreas com pelo menos três árvores no entorno de casa. O dado está entre os pontos de partida do Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), instituído pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima neste ano.
O plano prevê ações até 2045 para ampliar a presença de árvores nas cidades. A meta é elevar para 65% a parcela da população que vive próxima de áreas arborizadas e acrescentar 360 mil hectares de cobertura vegetal aos espaços urbanos.
- Brasil estreia com goleada sobre a Tanzânia no Mundial Sub-20
- Alison dos Santos vence em Bruxelas e leva título pela 3ª vez na Liga Diamante
- Anvisa libera importação de medicamento para Lito Sousa
- Já imaginou dormir dentro de uma Pokébola? Experiência será possível no Japão
- Novo hotel no Galeão terá investimento de R$ 90 milhões
Mais do que uma questão paisagística, a arborização passou a ser relacionada ao cotidiano. Sombra, conforto térmico, espaços para caminhar, áreas de convivência e proximidade com a água entram nessa discussão como elementos capazes de interferir na experiência de quem vive nas cidades. O planejamento urbano também passou a considerar a vegetação como uma ferramenta para enfrentar as ilhas de calor, melhorar a gestão das águas da chuva e preparar os municípios para os efeitos das mudanças climáticas.
Essa mudança também aparece em projetos que tentam aproximar a vida urbana de elementos naturais. Em Tijucas, em Santa Catarina, o Rioparque foi concebido como um bairro planejado de 460 mil metros quadrados, com áreas residenciais, comerciais e de serviços. Um dos principais elementos do projeto é um parque linear de aproximadamente dois quilômetros, aberto ao público e integrado aos rios Tijucas e Oliveira.
A proposta parte da ideia de que árvores, água e espaços públicos devem ser considerados desde o início do planejamento. Ruas arborizadas, praças, mirantes, trapiches e caminhos para pedestres e ciclistas estão entre os elementos previstos. A intenção é criar diferentes possibilidades de circulação e permanência, em vez de concentrar a experiência urbana apenas nos imóveis.
“Durante muito tempo, o paisagismo entrou nos projetos quando boa parte das decisões urbanísticas já estava tomada. Aqui, a proposta é outra: primeiro entendemos a paisagem, a água, a vegetação e os espaços de uso público para, a partir deles, organizar a experiência urbana”, afirma Juliana Castro, arquiteta e fundadora da JA8 Arquitetura Viva, responsável pelo projeto paisagístico.

Segundo ela, a presença das árvores também interfere na maneira como os espaços são utilizados. “A árvore deixa de cumprir apenas uma função visual e passa a interferir na sombra, no conforto dos percursos e na permanência das pessoas nos espaços”, diz.
No empreendimento, os rios são utilizados como elementos de organização do desenho urbano. A infraestrutura prevista inclui ainda uma marina para 240 embarcações (90 barcos e 150 motos aquáticas), além de open mall, áreas de convivência e equipamentos de lazer. Calçadas largas, mobiliário urbano, arborização adaptada ao clima local e fachadas voltadas para os espaços públicos completam a proposta.
Presença do verde
Para Ricardo Laus, fundador e CEO da Novo Ambiente Urbanismo, responsável pelo desenvolvimento do projeto, a presença do verde precisa ser pensada junto com os demais elementos da cidade.
“Quando um bairro é planejado desde o início, temos a possibilidade de tratar o verde como parte da infraestrutura e não como uma área que sobra depois da ocupação. No Rioparque, a relação com os rios, o parque linear, a marina e os espaços de convivência faz parte do desenho desde a origem do projeto”, afirma.
A discussão sobre arborização acompanha uma mudança mais ampla na percepção sobre qualidade de vida nas cidades. A proximidade de parques, árvores e espaços ao ar livre deixa de ser apenas uma característica estética de determinados bairros e passa a integrar o debate sobre conforto e uso dos espaços urbanos.
O desafio, porém, vai além dos novos empreendimentos. A meta estabelecida pelo PlaNAU envolve cidades já consolidadas, onde a expansão da cobertura vegetal depende de planejamento, manutenção e integração entre áreas públicas e privadas. Até 2045, a proposta é fazer com que a arborização esteja mais presente no cotidiano de quem vive nos centros urbanos.
Nesse cenário, árvores e áreas verdes passam a ocupar um lugar diferente na vida urbana: não apenas como elementos que embelezam a paisagem, mas como parte dos espaços onde as pessoas caminham, descansam, convivem e constroem sua relação cotidiana com a cidade.
