Segundo o MPRJ, militares ignoraram determinações judiciais e comprometeram o monitoramento eletrônico - Foto: Divulgação
Três policiais militares investigados por integrarem o esquema de segurança do contraventor Rogério Andrade voltaram para a prisão nesta terça-feira (28), após decisão da Justiça do Rio. De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), os agentes descumpriram repetidamente as medidas impostas durante o período em que cumpriam prisão domiciliar, como o recolhimento noturno e o uso da tornozeleira eletrônica.
Os mandados de prisão preventiva foram cumpridos por equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ e da Corregedoria da Polícia Militar.
Os três policiais respondem a processo na Operação Petrorianos, que apura a atuação de uma organização criminosa acusada de oferecer proteção armada ao bicheiro Rogério Andrade.
Segundo os promotores, mesmo beneficiados com a prisão domiciliar, os investigados deixaram de cumprir diversas determinações judiciais. Entre as irregularidades apontadas estão saídas sem autorização durante o horário em que deveriam permanecer em casa, inclusive à noite e nos fins de semana.
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Um dos casos destacados pelo Ministério Público envolve o policial Carlos Fernando Dias Chaves. Conforme a investigação, a tornozeleira eletrônica do militar ficou sem carga em pelo menos nove dias diferentes. Em uma das ocorrências, o equipamento permaneceu desligado por mais de três dias, inviabilizando o monitoramento do investigado.
Para o MPRJ, o descumprimento das medidas cautelares demonstra desrespeito às decisões judiciais e representa risco tanto para a ordem pública quanto para a continuidade da ação penal.
Esquema investigado pela Operação Petrorianos
Deflagrada em março de 2024, a Operação Petrorianos investiga um grupo acusado de integrar a estrutura de segurança particular de Rogério Andrade, apontado pelas autoridades como um dos principais nomes da contravenção no estado do Rio de Janeiro.
Na primeira fase da ofensiva, foram cumpridos 20 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão. Entre os alvos estavam 18 policiais militares da ativa e um policial penal.
Já na segunda etapa da operação, realizada no início deste ano, o MPRJ executou três novos mandados de prisão. Rogério Andrade foi um dos alvos, além dos policiais militares aposentados Carlos André Carneiro de Souza e Marcos Antônio de Oliveira Machado.
Ao todo, 31 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público por suposta participação em organização criminosa. As investigações apontam que o grupo atuava na proteção do contraventor.
Na federal
Patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, Rogério Andrade está preso desde novembro de 2024 no Presídio Federal de Campo Grande (MS). Ele é acusado de ser o mandante do assassinato de Fernando Iggnácio.
Iggnácio, genro e herdeiro do contraventor Castor de Andrade, foi morto em uma emboscada no dia 10 de novembro de 2020, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Após desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis, ele caminhava em direção ao carro quando foi atingido por disparos de fuzil calibre 5.56.

Sobrinho de Castor de Andrade, Rogério passou a disputar o controle dos negócios da contravenção após a morte do tio, em 1997. A divisão do império ficou inicialmente entre Paulo Roberto de Andrade, conhecido como Paulinho, filho de Castor, e Fernando Iggnácio.
Enquanto Iggnácio assumiu a exploração dos caça-níqueis, Paulinho ficou responsável pelas bancas do jogo do bicho. Rogério, no entanto, reivindicava espaço na herança da organização e iniciou uma disputa pelo comando dos territórios.
Paulinho foi assassinado em 1998, em um crime atribuído a Rogério Andrade, que posteriormente ampliou sua influência sobre as áreas controladas por Fernando Iggnácio. Segundo investigações da Polícia Federal, a guerra entre os dois grupos, entre 1999 e 2007, provocou cerca de 50 mortes, incluindo policiais suspeitos de atuar em favor dos contraventores.
