Jeniffer Costa afirmou que a mãe sofria violência e disse que continuará lutando pela liberdade dela - Foto: Instagram / Jeniffer Costa
A prisão da ex-vereadora Veronica Costa, conhecida como “Mãe Loira do Funk”, provocou uma manifestação pública da filha, Jeniffer Costa, neste sábado (26). Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que a mãe foi vítima de violência durante o casamento e que apenas tentou se defender. Veronica teve a prisão mantida após ser condenada a 10 anos de detenção pelo episódio de tortura contra o ex-marido, Márcio Costa, ocorrido em fevereiro de 2011.
Chorando, Jeniffer afirmou que considera injusta a situação e disse que a mãe poderia ter morrido durante o relacionamento. Segundo ela, Márcio teria agredido Veronica, apontado uma arma contra ela e tentado tirar sua vida.
“Minha mãe está sendo condenada por se defender, mas pelo menos ela está viva e se defendendo. Famílias, lutem! Familiares, ajudem! Eu não vou desistir de lutar pela minha mãe. Eu tenho muito orgulho da minha mãe e nunca vou abaixar minha cabeça quando andar na rua. Ela é um exemplo pra mim, um exemplo de mulher. Minha mãe não é bandida, a vítima está sendo presa”, afirmou Jeniffer.
A filha também disse que Veronica havia procurado a polícia antes de ser acusada pelo então marido. Segundo Jeniffer, a mãe já tinha registrado uma queixa contra Márcio quando ele denunciou a violência sofrida em 2011.
Filha relata rotina durante casamento
Jeniffer afirmou ainda que praticamente não teve convivência com a mãe durante os dez anos em que Veronica esteve casada. Segundo o relato, a ex-vereadora passava longos períodos sem dormir, faltava ao trabalho e permanecia deitada.
Ela também contou que Márcio acompanhava Veronica em diferentes situações do cotidiano. De acordo com Jeniffer, ele ia com ela ao trabalho e tentava acompanhá-la até mesmo durante consultas médicas.
“Nos 10 anos em que minha mãe estava casada com o marido, eu quase não tenho lembranças. Ela ficava mais de 16 horas sem dormir, muitas vezes faltava ao trabalho, ela só ficava deitada. Esse homem nunca deixava minha mãe sozinha. Minha mãe ia trabalhar, ele ia junto; ela ia ao médico, ele tentava entrar junto com ela na consulta. Eu quase não ficava sozinha com minha mãe”, disse.
Para Jeniffer, a condenação representa uma punição pelo fato de Veronica ter reagido às agressões que, segundo seu relato, sofria durante o relacionamento.
“O abusador virou a vítima. A minha mãe é o símbolo de resistência das mulheres. Era ela ou ele, minha mãe poderia estar morta. Eu poderia estar fazendo esse vídeo chorando ou no enterro da minha mãe (…). Minha avó falou várias vezes: ‘Não fica com esse homem’. Minha mãe estava apanhando, ele tinha apontado uma arma para a minha mãe, ele tentou tirar a vida da minha mãe. Minha mãe tentou buscar ajuda na polícia. Antes de o abusador ter acusado minha mãe, ela já tinha uma queixa contra ele”, falou.
A filha disse ainda que pretende continuar mobilizada pela mãe e pediu que familiares de mulheres vítimas de violência também atuem para ajudá-las.
Prisão em Petrópolis
Veronica era considerada foragida desde segunda-feira (21), quando a 16ª Vara Criminal da Capital, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), expediu o mandado de prisão. A ordem foi determinada após o esgotamento dos recursos apresentados pela defesa nos tribunais superiores.
A ex-vereadora foi localizada e presa na noite de quinta-feira (24), em uma casa em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.
Além de Veronica, também foram presos Tatiane Chaves Ribeiro, irmã dela; Bruno Chaves Ribeiro, irmão; e Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane. Os três são acusados de participação nas agressões contra Márcio.
O caso
Segundo o processo, Márcio Costa foi submetido a uma sessão de violência entre os dias 21 e 22 de fevereiro de 2011. Ele teria sido encharcado com combustível, ameaçado de ser incendiado e atingido no rosto com inseticida.
A acusação aponta que a ação teria sido coordenada por Veronica e executada com a participação de outros três familiares. Ainda conforme o processo, durante as agressões, Márcio era questionado sobre o paradeiro do dinheiro utilizado na campanha eleitoral de Veronica, que na época disputava uma vaga de vereadora no Rio.
Sem obter as respostas esperadas, o grupo teria mantido as ameaças. Em determinado momento, Márcio conseguiu escapar pela janela e pedir ajuda aos vizinhos. Ele ficou internado durante dez dias.
A denúncia contra Veronica e os demais envolvidos ocorreu em fevereiro de 2011, quando ela e Márcio ainda eram casados. Na época da condenação, ele vivia nos Estados Unidos e afirmava ter recebido diversas ameaças de morte.
A defesa de Veronica, por sua vez, sustenta a versão de que ela teria agido diante de um contexto de violência, argumento que também foi reforçado publicamente pela filha.
