Com alta de 18% nos preços em Miami, chegada de grandes fortunas e possíveis mudanças tributárias colocam o mercado imobiliário do Sul da Flórida no radar para 2027 - Foto: Reprodução
A presença de grandes fortunas e a expansão de negócios no Sul da Flórida estão mudando o cenário do mercado imobiliário de luxo nos Estados Unidos. Com Miami registrando a maior valorização entre as principais regiões metropolitanas americanas, a região ganhou ainda mais visibilidade entre investidores interessados em imóveis de alto padrão, preservação de patrimônio e oportunidades para os próximos anos.
Um levantamento da Redfin, divulgado em setembro de 2026, aponta que os preços das propriedades de luxo em Miami aumentaram 18% nos 12 meses encerrados em julho. O resultado representa a maior alta entre as 50 principais regiões metropolitanas dos Estados Unidos. Na contramão desse movimento, os imóveis convencionais tiveram queda de 1,3% no mesmo intervalo, mostrando que a valorização não alcança todos os segmentos do setor.
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Para Leandro Sobrinho, investidor e incorporador imobiliário e cofundador da Davila Finance, empresa especializada em investimentos e desenvolvimento imobiliário nos Estados Unidos, o movimento está relacionado a uma transformação econômica e patrimonial. Segundo ele, a chegada de famílias milionárias, empresas e empresários modifica a dinâmica das cidades e influencia o desenvolvimento de novos empreendimentos.
Entre os nomes que reforçam essa movimentação estão Jeff Bezos e Ken Griffin. A Flórida passou a representar uma alternativa para empresários e famílias que anteriormente mantinham residência ou negócios em estados como Nova York e Califórnia. A ausência de imposto estadual sobre a renda das pessoas físicas, o clima tropical e a concentração de atividades empresariais estão entre os fatores que contribuem para essa procura.
O crescimento também aparece em outros destinos do estado. Em West Palm Beach, as vendas de imóveis de luxo avançaram 43,9% no trimestre encerrado em julho, na comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com a Redfin, foi a maior expansão entre os mercados analisados. As negociações pendentes de propriedades de alto padrão também aumentaram 20,1%.
Mudanças tributárias entram no planejamento para 2027
Além da valorização imobiliária, as discussões sobre impostos nos Estados Unidos passaram a integrar as análises de investidores. Nas eleições americanas de 3 de novembro, os eleitores da Flórida também votarão uma proposta que prevê ampliar a isenção de determinados tributos sobre imóveis utilizados como residência principal, conhecida como property tax.
A medida estabelece que a parcela isenta poderá chegar a US$ 150 mil em 2027 e US$ 250 mil em 2028. O texto também prevê uma redução do limite anual de aumento da avaliação tributável para propriedades que não são utilizadas como residência principal. As mudanças, entretanto, dependem da aprovação dos eleitores.
Na avaliação de Sobrinho, os benefícios fiscais podem melhorar a rentabilidade de uma aquisição, mas não devem ser o principal motivo para fechar negócio. Ele ressalta que é necessário considerar o preço de compra, os gastos de manutenção, as condições de financiamento e a possibilidade de valorização ao longo dos anos.
Outro fator acompanhado pelo setor é a trajetória dos juros americanos em 2027. As taxas de financiamento interferem diretamente no poder de compra e no retorno esperado das operações. Ainda assim, compradores de alta renda costumam ter maior disponibilidade de recursos próprios, o que reduz a dependência de empréstimos imobiliários.
Imóveis de luxo avançam enquanto compras internacionais recuam
O desempenho das propriedades mais caras contrasta com os números gerais do mercado imobiliário americano. Dados da National Association of Realtors mostram que compradores estrangeiros movimentaram US$ 45,3 bilhões na aquisição de imóveis residenciais usados entre abril de 2025 e março de 2026. O montante representa uma retração de 19,1% em relação ao período anterior.
Mesmo diante da queda nas transações internacionais, a Flórida permaneceu como o principal destino desses compradores, concentrando 20% das aquisições realizadas por estrangeiros nos Estados Unidos.
Outro dado que chama atenção é a forma de pagamento. Segundo o levantamento, 48% das compras internacionais foram realizadas integralmente à vista, sem utilização de financiamento imobiliário. O resultado evidencia a participação de investidores com maior disponibilidade de capital próprio.
Para Sobrinho, os números mostram que a valorização do mercado de luxo não deve ser interpretada como uma recuperação generalizada do setor. Enquanto determinadas localidades concentram negociações milionárias, outros segmentos continuam enfrentando dificuldades relacionadas aos preços, aos custos de manutenção e às condições de crédito.
Infraestrutura e demanda ajudam a definir o valor dos imóveis
A transformação do Sul da Flórida também aparece na arquitetura e nos serviços oferecidos pelos novos empreendimentos residenciais. Projetos de alto padrão têm incorporado estruturas exclusivas, segurança, privacidade e soluções arquitetônicas voltadas a compradores que procuram tanto uma residência quanto uma alternativa para preservar o patrimônio.
Com a aproximação de 2027, a capacidade de manutenção do valor desses imóveis passou a ganhar importância nas decisões de compra. A chegada de empresas, a expansão da infraestrutura, os custos operacionais e a quantidade de novos empreendimentos disponíveis são alguns dos aspectos que podem influenciar o desempenho de cada região.
Na avaliação do cofundador da Davila Finance, acompanhar apenas o histórico recente de valorização não é suficiente para identificar uma boa oportunidade. É necessário compreender o perfil dos compradores, a movimentação empresarial e as perspectivas de desenvolvimento urbano antes de investir.
Para quem pretende entrar no mercado imobiliário americano, o planejamento financeiro também deve considerar os objetivos patrimoniais e os custos envolvidos na operação. A valorização registrada em Miami e West Palm Beach demonstra o interesse crescente pelo segmento de luxo, mas não garante que todos os imóveis terão o mesmo desempenho nos próximos anos.
Sobrinho destaca que a qualidade da escolha é determinante para o resultado de uma aquisição. A análise dos fundamentos do imóvel, das despesas e da demanda local deve vir antes da expectativa de lucro ou da reputação de determinado endereço. Assim, a preparação para 2027 passa menos pela busca por regiões em evidência e mais pela identificação de propriedades com condições de sustentar seu valor no longo prazo.
