- Organização internacional cita ataques a jornalistas e queda dos Estados Unidos no ranking mundial - Foto: Divulgação / Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a integrar a lista de “predadores da imprensa” de 2026, divulgada nesta segunda-feira (2) pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). A entidade aponta uma escalada de ataques contra jornalistas durante o segundo mandato do republicano, incluindo medidas que restringem o exercício da profissão e tentativas de transformar o jornalismo em instrumento de comunicação política.
Publicada anualmente, a relação reúne autoridades, organizações e grupos econômicos considerados responsáveis por ameaçar a liberdade de imprensa. Trump aparece ao lado de nomes que já figuravam em edições anteriores, como o presidente russo, Vladimir Putin; o líder da Nicarágua, Daniel Ortega, e sua esposa, Rosa Murillo; além do presidente de Belarus, Alexander Lukashenko.
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Segundo a RSF, desde que retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump ampliou as ofensivas contra os veículos de comunicação. A organização destaca que as ações deixaram de se limitar a discursos e decisões políticas e passaram a envolver restrições físicas impostas aos profissionais da imprensa.
O impacto também aparece no ranking mundial de liberdade de imprensa elaborado pela entidade. Em apenas um ano, os Estados Unidos perderam sete posições e agora ocupam o 64º lugar. Para a organização, a atuação do governo republicano contribuiu para o enfraquecimento das condições de trabalho dos jornalistas no país.
Israel, China e cartéis mexicanos também são citados
A relação de 2026 também chama atenção para ameaças à segurança dos profissionais da comunicação. Entre os nomes e grupos apontados estão as Forças Armadas de Israel, o Partido Comunista Chinês e os cartéis mexicanos.
A RSF alerta para um cenário de violência contra jornalistas em países que, oficialmente, não estão em guerra. No México, o crime organizado é apontado como responsável por um ambiente de terror. Desde o início deste ano, quase um profissional da imprensa foi assassinado por mês em decorrência da atuação desses grupos.
Também integram a lista o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, e o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi. No caso egípcio, a organização cita a prisão de jornalistas do portal de checagem Matsaddash e o fechamento do Mada Masr, considerado um veículo de referência no país.
Gigantes da tecnologia entram na relação
O relatório não se restringe a governos e organizações armadas. No campo econômico, a RSF aponta empresas de tecnologia e bilionários que, segundo a entidade, contribuem para enfraquecer veículos independentes ou pressionar a autonomia editorial.
Entre os citados estão a Alphabet, controladora do Google, e a Meta, responsável por plataformas como Facebook, WhatsApp e Instagram. Também aparecem o empresário francês Vincent Bolloré, dono de jornais, emissoras de televisão e rádios, e o georgiano Bidzina Ivanichvili.
O empresário Elon Musk também permanece na relação. A RSF atribui a ele a disseminação de desinformação por meio da rede social X, além de apontar a propagação de discursos de ódio contra jornalistas e obstáculos à liberdade de informação.
Outro nome incluído em 2026 é o presidente da Argentina, Javier Milei. No poder desde dezembro de 2023, o político é acusado pela organização de intensificar os ataques contra jornalistas e veículos críticos à sua gestão, frequentemente responsabilizados por corrupção, mentiras e manipulação política.
Khamenei, Maduro e Orbán deixam a lista
A edição deste ano também registra a saída de nomes que integravam a relação de 2025. Entre eles está o antigo líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em um bombardeio durante as primeiras operações da guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o país, em 28 de fevereiro.
Outro que deixou a lista foi Nicolás Maduro. O ex-presidente venezuelano foi retirado do poder após uma operação militar norte-americana, durante a qual foi capturado e levado para uma prisão em Nova York.
Os ex-primeiros-ministros Viktor Orbán, da Hungria, e Aleksandar Vučić, da Sérvia, também foram excluídos. Segundo a RSF, os dois deixaram de integrar a relação após perderem o poder por meio de processos eleitorais.
