Ações da dona do Facebook e do Instagram caíram mais de 7% com a previsão de novos investimentos bilionários em IA - Foto: Divulgação
A aposta da Meta na inteligência artificial (IA) provocou uma reação negativa no mercado financeiro. As ações da empresa, dona do Facebook e do Instagram, caíram mais de 7% nesta quinta-feira (22), após a companhia anunciar um aumento na previsão de gastos com a tecnologia e apresentar um plano para emitir novos papéis e financiar os investimentos.
A queda ocorreu mesmo depois de a gigante de tecnologia divulgar resultados acima das expectativas e apresentar uma projeção considerada positiva. Caso as perdas se mantenham, a empresa poderá perder cerca de US$ 114 bilhões em valor de mercado.
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A Meta elevou em US$ 5 bilhões o limite mínimo de sua estimativa de investimentos de capital, que agora varia entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões. O dinheiro será destinado, entre outras iniciativas, à expansão de sua estratégia de inteligência artificial.
O plano inclui colocar o agente de IA Muse no centro das operações da companhia. A proposta é transformar a tecnologia, que ganhou espaço principalmente entre empresas interessadas em automatizar tarefas de programação, em uma fonte de receita voltada também ao público consumidor.
Novas ações para bancar a inteligência artificial
Para financiar a expansão, a Meta pretende criar uma nova categoria de ações sem direito a voto, chamada Classe C. Segundo o documento apresentado pela empresa, a emissão desses papéis poderá levantar centenas de bilhões de dólares ao longo de vários anos.
Os recursos poderão ser usados em investimentos em inteligência artificial, aquisições e remuneração de funcionários. As emissões podem começar já no segundo semestre de 2026.
A companhia também indicou que a estratégia pode evitar a necessidade de recorrer a empréstimos, o que ajudaria a proteger suas classificações de crédito. A preocupação com o endividamento de empresas envolvidas na corrida pela IA, porém, já começa a atingir o mercado financeiro.
Custo para proteger dívida atinge recorde
Outro sinal de alerta veio do mercado de crédito. Os contratos de proteção contra calote da dívida da Meta, conhecidos como credit default swaps (CDS), com prazo de cinco anos atingiram a máxima histórica de 114,79 pontos-base nesta quinta-feira.
A alta indica que investidores estão cobrando mais caro para se proteger de um eventual risco de inadimplência da companhia. Isso não significa, necessariamente, que a empresa esteja perto de deixar de pagar suas obrigações.
Shay Boloor, estrategista-chefe de mercado da Futurum Equities, afirmou que o movimento pode estar relacionado à atuação dos bancos na proteção de suas exposições ao financiamento da dívida destinada aos investimentos em inteligência artificial, e não a uma deterioração efetiva da situação financeira da Meta.
A preocupação também envolve outras empresas do setor. Neste mês, companhias como CoreWeave e Nebius enfrentaram pressão no mercado acionário diante dos gastos elevados com centros de processamento de dados destinados a atender à crescente demanda por serviços de IA.
Especialistas alertam que o aumento dos empréstimos deixa essas empresas vulneráveis a uma eventual redução da procura por seus serviços. Outro desafio é a rápida depreciação dos chips, que podem perder valor em cinco ou seis anos, exigindo novos investimentos para manter a competitividade.
Até o fechamento do pregão de quarta-feira (21), as ações da Meta acumulavam alta superior a 5% em 2026. A reação desta quinta-feira, no entanto, evidenciou o receio dos investidores com o custo crescente da corrida pela inteligência artificial, mesmo entre empresas tradicionalmente conhecidas pela capacidade de gerar caixa.
