País passou da sexta para a primeira posição entre os destinos dos automóveis chineses em apenas um ano - Foto: Divulgação / BYD
O Brasil assumiu pela primeira vez a liderança entre os maiores compradores de automóveis exportados pela China. Entre janeiro e maio de 2026, o país importou US$ 5,2 bilhões em veículos chineses, superando mercados tradicionais e consolidando o avanço das fabricantes asiáticas no setor automotivo nacional.
Do valor total importado, US$ 4,5 bilhões foram destinados à compra de veículos eletrificados, categoria que reúne modelos híbridos e elétricos. O resultado representa uma forte expansão em relação ao mesmo período de 2025, quando o Brasil havia adquirido US$ 2,1 bilhões em automóveis chineses e ocupava apenas a sexta posição entre os principais destinos das exportações do país asiático.
Com o crescimento das importações, o Brasil ultrapassou a Rússia, que registrou US$ 5 bilhões em compras de veículos chineses no mesmo intervalo. Na sequência aparecem Bélgica e Reino Unido, ambos com US$ 3,8 bilhões, além da Austrália, que somou US$ 3 bilhões.
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O avanço das importações acontece ao mesmo tempo em que as montadoras chinesas ampliam sua presença no mercado brasileiro. A BYD, por exemplo, iniciou as operações em sua unidade de Camaçari, na Bahia, utilizando o sistema semi knocked down (SKD), em que os veículos chegam da China em grandes conjuntos de peças para serem montados no Brasil.
Segundo a empresa, o objetivo é aumentar gradualmente a fabricação nacional e ampliar a participação de componentes produzidos no país. A meta da montadora é alcançar até 50% de nacionalização da produção até 2027.
A adoção do sistema de montagem ocorreu após mudanças na tributação sobre veículos importados. Com isso, a fabricante deixou de trazer automóveis totalmente prontos e passou a montar os modelos em território brasileiro, estratégia que garante o abastecimento do mercado e reduz a dependência da importação de veículos completos.
Enquanto as montadoras reforçam a estrutura produtiva no Brasil, as exportações chinesas para o país seguem em ritmo acelerado. Entre janeiro e maio deste ano, o valor embarcado de veículos híbridos plug-in dobrou em relação ao mesmo período anterior, enquanto as exportações de carros 100% elétricos quase quadruplicaram.
Na avaliação do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o aumento das compras também está relacionado à antecipação de embarques antes da elevação gradual das tarifas sobre veículos eletrificados. A entidade aponta ainda que as restrições comerciais impostas por mercados como Estados Unidos e União Europeia levaram fabricantes chinesas a direcionar parte maior de suas exportações para países como o Brasil, fortalecendo a presença dessas marcas no mercado nacional.
