Esportivo japonês de 1991 preserva características originais e documentos que comprovam sua ligação com o piloto - Foto: Reprodução
Um carro que fez parte da rotina de Ayrton Senna na Europa acaba de alcançar uma marca milionária. O Honda NSX 1991 utilizado pelo tricampeão de Fórmula 1 em Portugal foi arrematado por 871 mil libras (cerca de R$ 6,3 milhões, em conversão direta e sem impostos) durante um leilão organizado pela RM Sotheby’s, em Londres, no Reino Unido, no último sábado (31). O valor superou as expectativas para o modelo, que preserva características originais e uma ligação documentada com o brasileiro.
Com chassi T000233, o esportivo tem pintura vermelha Formula Red, teto preto e interior revestido de couro escuro. O veículo fazia parte de um conjunto de três unidades cedidas pela Honda a Senna. Os outros dois exemplares tinham carroceria preta, sendo que um deles permanece no Brasil sob os cuidados da família do piloto.
- Carro de Ayrton Senna é vendido por R$ 6,3 milhões em leilão na Inglaterra
- Menino de 12 anos morre após picape com crianças tombar na Baixada
- Hospital confirma mortes após queda de asa-delta na Zona Sul do Rio
- Carnaval 2027: Rio Carnaval TV divulga clipes dos 12 sambas-enredo
- Queda de asa-delta termina com duas pessoas em estado grave na Zona Sul do Rio
O NSX vendido em Londres era utilizado nos deslocamentos de Senna pela Europa e ficava baseado em Lisboa. Foi justamente ao volante desse automóvel que o piloto chegou ao circuito de Estoril para disputar o Grande Prêmio de Portugal de 1991. Na ocasião, largou em terceiro lugar e terminou a corrida na segunda posição.
O carro também ficou marcado por aparições relacionadas à vida do tricampeão fora das pistas. Em 1992, participou de cenas do documentário Racing Is In My Blood, que mostravam o esportivo em arrancadas. Outra imagem conhecida registra Senna lavando a carroceria vermelha com uma mangueira.
Participação no desenvolvimento
A relação do brasileiro com o modelo não se limitava à utilização do veículo. Em 1989, Senna participou diretamente dos testes de desenvolvimento do NSX no circuito de Suzuka, no Japão. Durante a avaliação de um protótipo, identificou limitações na rigidez da estrutura quando submetida a cargas elevadas e cobrou melhorias da equipe de engenharia.
A contribuição resultou em mudanças importantes no projeto, incluindo um aumento de 50% na rigidez estrutural do monobloco de alumínio e ajustes na suspensão.
O desenvolvimento do esportivo havia começado em 1985, sob a liderança do engenheiro Shigeru Uehara. A proposta era criar um automóvel de produção em série com carroceria e estrutura monobloco integralmente feitas de alumínio.
O desenho também recebeu influência da aviação militar. Os projetistas utilizaram o caça F-16 como referência para desenvolver uma cabine avançada, que proporcionava ao motorista uma ampla visibilidade de aproximadamente 360 graus.
Para fabricar o modelo, a Honda inaugurou uma unidade dedicada em Tochigi, no Japão, em 1990. A montagem era realizada manualmente, com produção limitada a 25 veículos por dia. O lançamento no mercado japonês aconteceu em setembro daquele ano, mas a procura superou a capacidade da fábrica e provocou filas de espera que chegaram a três anos. O projeto ainda serviu de base para o desenvolvimento da versão mais leve NSX-R, apresentada em 1992.
Motor V6 e velocidade máxima de 265 km/h

O Honda NSX 1991 utiliza um motor C30A V6 3.0 aspirado a gasolina, instalado na posição central-traseira. Desenvolvido especialmente para o esportivo, o propulsor conta com comando de válvulas variável e, na configuração europeia destinada a Portugal, entrega 274 cavalos de potência e 29 kgfm de torque.
Com transmissão manual, o modelo alcança 265 km/h de velocidade máxima. A disposição transversal do motor entre os eixos também favorece a distribuição de peso e o equilíbrio nas curvas, características importantes para o comportamento esportivo do veículo.
Embora o catálogo do leilão não apresente todos os detalhes técnicos do exemplar, o automóvel segue as especificações homologadas pela fabricante para os mercados europeu e norte-americano. Nos Estados Unidos, o modelo foi comercializado sob a marca Acura, divisão de luxo da Honda.
Histórico do carro após a morte do piloto
Depois da morte de Ayrton Senna, em maio de 1994, após o acidente durante o Grande Prêmio de San Marino, em Imola, na Itália, o esportivo continuou em Portugal. Dez meses depois, recebeu um novo registro de propriedade.
Em 1997, passou pela concessionária portuguesa Nipomotor. Anos mais tarde, em 2009, foi adquirido por compradores do Reino Unido. Em 2024, o veículo chegou ao Japão antes de retornar a Londres para participar do leilão.
Outro momento importante de sua trajetória aconteceu em 2019, durante as homenagens pelos 25 anos da morte de Senna, realizadas no autódromo de Imola. Na ocasião, o NSX foi conduzido na pista por Giancarlo Minardi, fundador da antiga equipe de Fórmula 1 que levava seu sobrenome e dirigente do circuito italiano.
O exemplar também chama atenção pela preservação. Segundo o histórico apresentado para a venda, o automóvel mantém a mecânica e a quilometragem originais.
Para comprovar sua procedência, o lote foi acompanhado de um conjunto de documentos históricos, incluindo o manual de garantia original e registros de propriedade emitidos em Portugal. A documentação também reúne uma cópia de um fax enviado originalmente pela Honda e posteriormente ratificado pela Honda Motor Europe, certificando a ligação direta entre o chassi T000233 e Ayrton Senna.
