Polícia investiga a abordagem na Zona Norte e tenta identificar de onde partiram os tiros que mataram Jefferson da Linave - Foto: Reprodução
Os cinco policiais militares envolvidos na ocorrência que terminou com a morte do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados, Jefferson Dias da Silva, de 51 anos, foram afastados imediatamente das funções por determinação do governador em exercício do Rio, o desembargador Ricardo Couto. O secretário, conhecido como Jefferson da Linave, morreu após ser baleado na noite desta segunda-feira (19), na Avenida Brasil, na altura da estação do BRT Marinha Mercante, na Penha, Zona Norte.
A morte é investigada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que busca esclarecer as circunstâncias da abordagem e identificar a origem dos disparos que atingiram o secretário. Até o momento, não foi possível determinar de qual arma partiu o tiro fatal. Também não havia confirmação, até a última atualização das informações, sobre se Jefferson estava armado.
- Neymar revela plano para quando se aposentar do futebol
- Fifa confirma Catar como sede da fase final da Copa Intercontinental 2026
- Presidente do Vasco, Pedrinho deixa hospital após tratar infecção no rosto
- Macron anuncia restrições a protestos após onda de violência na França
- Lula e Flávio Bolsonaro fecham acordo para quebra de sigilos
Em nota, o governo estadual lamentou a morte e classificou o caso como grave, defendendo uma apuração rigorosa, rápida e transparente. A Polícia Civil realizou perícia no local, apreendeu as armas dos agentes envolvidos e iniciou a análise das imagens registradas pelas câmeras corporais. A Polícia Militar (PM) também abriu uma investigação por meio da Corregedoria-Geral e afirmou que colaborará com as apurações.
PM relata sete tiros de fuzil durante ocorrência
De acordo com os depoimentos registrados no inquérito, policiais do 22º BPM (Maré) receberam informações pelo rádio sobre um BYD branco que trafegava em alta velocidade pela Avenida Brasil. O veículo estaria com uma das rodas aparentemente em chamas.
Os agentes afirmaram que localizaram o automóvel nas proximidades do Complexo da Maré e ordenaram que o motorista desligasse o carro e saísse. Segundo os relatos, Jefferson não teria obedecido. Na sequência, os policiais disseram ter ouvido disparos, e um deles afirmou ter atirado contra uma das rodas traseiras do veículo.
O BYD continuou pela via, dando início a um acompanhamento policial. Conforme os depoimentos, o motorista teria passado por outros dois pontos de bloqueio e realizado manobras que colocaram os agentes em risco.
Na região da Nova Holanda, os policiais relataram ter ouvido novos tiros, que, segundo eles, teriam partido de um dos acessos à comunidade. A equipe afirmou ter reagido aos disparos.
Carro bateu na mureta antes de secretário ser encontrado morto
A perseguição terminou nas proximidades da Passarela 14, quando uma viatura interceptou o BYD. De acordo com os policiais, o motorista perdeu o controle da direção, rodou na pista e bateu na mureta de proteção.
Os agentes disseram que Jefferson ainda tentou dar marcha a ré para escapar e que, por isso, fizeram novos disparos contra os pneus. Policiais do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), que davam apoio à ocorrência, também relataram ter escutado tiros.
Um dos integrantes do batalhão afirmou ter efetuado sete disparos com um fuzil calibre 7,62 mm. Em seu relato, o agente justificou os tiros pela percepção de uma “situação de perigo iminente”.
Após a imobilização do automóvel, os policiais se aproximaram e quebraram um dos vidros para acessar o interior. Jefferson foi encontrado sem vida, atingido por disparos de arma de fogo.
Vídeos gravados por motoristas que passavam pela Avenida Brasil mostram policiais atirando em direção ao carro do secretário. As imagens integram o material que poderá ajudar a esclarecer a dinâmica da ocorrência.
Polícia vai analisar armas e imagens
A portaria que instaurou o inquérito determina a realização de perícias nas armas utilizadas pelos policiais que efetuaram disparos. O documento também prevê, se possível, exames de confronto balístico, além da obtenção de imagens da ocorrência e dos resultados dos exames realizados no corpo da vítima.
Os investigadores ainda precisam esclarecer de quais armas partiram os tiros ouvidos durante a perseguição e qual deles provocou a morte do secretário.
O governo do estado informou que acompanhará o andamento das investigações e adotará as medidas necessárias para esclarecer os fatos. Eventuais responsabilizações dependerão da constatação de irregularidades durante a apuração.
Nota: Matéria atualizada para corrigir o número de policiais afastados, que passou de três para cinco.
