Foto: Abraji / Alice Vergueiro
O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos na manhã desta terça-feira (22), em casa, no Rio de Janeiro. A morte, provocada por uma pneumonia, foi comunicada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual ele era membro desde 2015.
Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir construiu uma relação estreita com o Rio de Janeiro. Segundo o Governo do Estado, ele se mudou para Nova Friburgo, na Região Serrana, aos 11 anos, acompanhado da família. Foi no estado que desenvolveu parte importante de sua trajetória profissional e intelectual.
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Ao longo de mais de seis décadas de carreira, o jornalista ocupou diferentes funções na imprensa. Ele começou a trabalhar na área em 1956, como arquivista, e posteriormente foi repórter, colunista, editor, chefe de reportagem e diretor de redação.
Zuenir passou por alguns dos principais veículos de comunicação do país, entre eles O Globo, Correio da Manhã e Jornal do Brasil. Também trabalhou nas revistas Fatos & Fotos, Cruzeiro, Visão e Veja.
Antes da carreira acadêmica e literária, formou-se em Letras Neolatinas, com bacharelado e licenciatura. Também foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Livros marcaram trajetória
Na literatura, Zuenir ficou conhecido principalmente pela produção de livros-reportagem que abordaram momentos e questões importantes da história brasileira.
Entre suas obras mais conhecidas está “1968 — O ano que não terminou”, sobre o contexto político e social brasileiro daquele período. O livro alcançou centenas de milhares de exemplares vendidos.
Em “Cidade partida”, o escritor voltou o olhar para a violência e as desigualdades do Rio de Janeiro. A obra recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.
Em 2015, Zuenir Ventura passou a integrar a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira que anteriormente pertencia ao escritor Ariano Suassuna.
Velório será na Academia Brasileira de Letras
Segundo a ABL, o velório será realizado nesta quarta-feira (23), na sede da Academia Brasileira de Letras. O corpo será posteriormente levado para o mausoléu da instituição, no Cemitério São João Batista, onde ocorrerá o sepultamento.
Em nota de pesar, o Governo do Estado do Rio destacou a contribuição de Zuenir para o jornalismo, a literatura e a preservação da memória brasileira. O governo também ressaltou a ligação construída pelo jornalista com o Rio de Janeiro e manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores de sua obra.
