Capital recebe primeiro alerta máximo para altas temperaturas após recordes históricos - Foto: iStock
A Coreia do Sul elevou o nível de alerta diante de uma onda de calor histórica que já provocou 19 mortes no país. O presidente Lee Jae Myung classificou a situação como um “desastre nacional” nesta terça-feira (4), e determinou que órgãos do governo ampliem o apoio à população afetada pelas altas temperaturas, além de reforçarem a fiscalização sobre a infraestrutura elétrica.
Durante uma reunião do gabinete, Lee afirmou que as condições climáticas extremas exigem uma revisão dos sistemas de resposta a emergências. Segundo o presidente sul-coreano, a possibilidade de novos períodos prolongados de calor intenso representa um desafio para a proteção da população.
“Uma preocupação ainda maior é que as condições climáticas anormais tornam altamente provável que eventos extremos continuem por um período considerável”, afirmou Lee.
O alerta ocorre após registros de temperaturas sem precedentes em diferentes regiões do país. A Agência Meteorológica da Coreia informou que a cidade de Yangsan, localizada no sudeste e cercada por uma área de relevo em formato de bacia, atingiu 42,5 graus Celsius no domingo. O índice foi o maior já registrado no local em 122 anos de observações meteorológicas.
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A capital Seul também entrou em uma situação inédita de alerta máximo. Na segunda-feira, o serviço meteorológico emitiu pela primeira vez um aviso de onda de calor para áreas da cidade e da província vizinha de Gyeonggi. Na terça-feira, o alerta foi ampliado para toda a capital.
As autoridades recomendaram que moradores evitem atividades ao ar livre, incluindo trabalhos agrícolas, esportes e serviços em canteiros de obras, devido ao risco de doenças relacionadas ao calor.
Nas áreas mais vulneráveis de Seul, o impacto da onda de calor tem sido ainda maior. No bairro de Yeongdeungpo, onde existem comunidades de moradias compactas e de baixo custo conhecidas como “jjokbang”, moradores relatam dificuldades para enfrentar as temperaturas extremas.
Parte dos moradores foi transferida para abrigos temporários oferecidos pelo governo com equipamentos de ar-condicionado. No entanto, pessoas em situação de rua continuam expostas às altas temperaturas nas áreas abertas.
Equipes de emergência passaram a intensificar ações de assistência. Bombeiros e funcionários públicos têm realizado inspeções em áreas consideradas de risco, além de monitorar moradores vulneráveis e utilizar caminhões para resfriar ruas com jatos de água.
De acordo com a Agência de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia do Sul, 19 pessoas morreram em decorrência do calor extremo, sendo 13 delas com idade igual ou superior a 80 anos. Desde 15 de maio, pelo menos 2.025 pessoas foram atendidas por problemas relacionados às altas temperaturas em todo o país.
O calor também afetou eventos esportivos. Dois jogos de beisebol previstos para terça-feira, em Seul e Gwangju, foram cancelados devido às condições climáticas, segundo a Organização Coreana de Beisebol.
O governo sul-coreano agora avalia novas medidas para enfrentar períodos de calor mais intensos, em meio a uma sequência de eventos climáticos extremos que têm pressionado sistemas de saúde, energia e proteção civil do país.
