Campeã olímpica conquista o terceiro título mundial no salto e amplia coleção de medalhas em competições internacionais - Foto: Divulgação / CBG
Rebeca Andrade voltou a fazer história na ginástica artística neste sábado (24). Com dois saltos de alto nível na final do Mundial de Roterdã, na Holanda, a brasileira conquistou o tricampeonato mundial do aparelho e colocou mais uma medalha de ouro na coleção. Aos 27 anos, a campeã olímpica venceu com média de 14,466 pontos, sob os olhares da americana Simone Biles, uma das maiores estrelas da modalidade.
Vestida de azul, cor que considera sua sorte, Rebeca superou a americana Claire Pease, que terminou com 14,233 pontos, e a compatriota dela Skye Blakely, campeã do individual geral nesta edição, que ficou com 14,166. A conquista marca o retorno do Brasil ao pódio de um Mundial após o país passar em branco na edição de 2025.
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O resultado também colocou a ginasta em um grupo restrito de lendas do esporte. Rebeca se tornou a segunda atleta da história a conquistar três títulos mundiais no salto, igualando o feito da chinesa Cheng Fei. Nem mesmo Simone Biles, bicampeã mundial do aparelho, alcançou a marca.
Brasileira amplia coleção de medalhas
Com o ouro em Roterdã, Rebeca chegou a dez medalhas em Campeonatos Mundiais, quatro delas douradas. Além dos três títulos no salto, a brasileira também foi campeã mundial do individual geral em 2022.
A ginasta soma ainda seis medalhas olímpicas, sendo duas de ouro. Considerando apenas as provas individuais, ela entrou no top-10 histórico de medalhistas da ginástica artística, empatada na nona posição com a soviética Yelena Shushunova.
Rebeca também se tornou a primeira brasileira tricampeã mundial em uma mesma prova. Antes dela, Diego Hypolito, no solo, e a própria ginasta, no salto, haviam conquistado dois títulos mundiais em seus respectivos aparelhos.
Em seu retorno às competições internacionais após um período de descanso para recuperar o corpo e a mente, Rebeca mostrou que não precisava recorrer à sua apresentação de maior dificuldade para vencer. A brasileira ainda não executou o Cheng, um dos saltos mais complexos do repertório, e apostou na regularidade para garantir o título.
No primeiro voo, Rebeca executou um Yurchenko com dupla pirueta e repetiu os 14,400 pontos obtidos na classificatória e na final por equipes. No segundo, apresentou um Lopez bem executado, com pequena falha na aterrissagem, e recebeu 14,133 pontos. Com a bonificação de 0,2 ponto, alcançou a média campeã de 14,466.
A americana Claire Pease ainda ameaçou a brasileira ao apresentar o Cheng, salto de maior dificuldade. Apesar de melhorar a execução em relação às apresentações anteriores, ela saiu da área de aterrissagem no segundo voo e terminou com média de 14,233.
A sul-coreana Yeo Seojeong, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio e uma das principais adversárias de Rebeca, também não teve uma final feliz. Depois de conseguir 14,600 pontos no primeiro salto, ela caiu na segunda apresentação e encerrou a disputa na sétima colocação, com média de 13,716.
A canadense Lia-Monica Fontaine ficou em quarto lugar, com 14,083 pontos, enquanto a compatriota Ellie Black terminou com 13,966. A britânica Abigail Martin também obteve média de 13,716. Já a mexicana Victoria Mata encerrou a competição na sequência, com 13,933 pontos.
Rebeca destaca tranquilidade na decisão
Após a conquista, a brasileira celebrou o resultado e destacou que a estratégia adotada deu certo, mesmo sem a utilização de seus saltos mais difíceis.
“Esse ouro mostra que tudo que a gente tem feito da melhor maneira possível está dando certo, né!? (risos) Não fiz os saltos mais difíceis da minha carreira, mas isso foi suficiente para trazer o ouro. Tô bem feliz e orgulhosa”, afirmou.
A ginasta também explicou como controla a ansiedade antes de executar os movimentos decisivos. Segundo ela, respirar e manter a concentração são fundamentais para apresentar o melhor desempenho durante as competições.
“Tento manter a tranquilidade. Já sou uma pessoa tranquila, então dentro da competição eu só fico respirando. Falo: ‘Você está pronta para fazer o que você veio fazer. Não se preocupa e faça o seu melhor’. É isso que tento fazer na hora”, contou.
Olho em Los Angeles 2028
O retorno de Rebeca acontece depois de um ano sabático, período escolhido para se recuperar do desgaste acumulado na preparação e na disputa dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. Na capital francesa, ela conquistou quatro medalhas e ampliou seu protagonismo na ginástica mundial.
Agora, a brasileira planeja uma evolução gradual até os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. A decisão de não antecipar a execução do Cheng em Roterdã faz parte desse processo, com foco na recuperação e no desenvolvimento progressivo de suas apresentações.
Enquanto isso, Simone Biles acompanhou a final como convidada de honra do Mundial. Aos 29 anos, a americana, dona de 30 medalhas em Mundiais e 11 em Olimpíadas, não compete desde os Jogos de Paris. Ela ainda não confirmou se voltará às competições, mas também não descartou participar da Olimpíada de 2028. Os Estados Unidos garantiram a classificação da equipe feminina com a medalha de prata na Holanda.
Flávia Saraiva disputa final neste domingo
O Brasil ainda tem outra oportunidade de subir ao pódio no Mundial de Roterdã. Flávia Saraiva disputa a final da trave neste domingo (25), a partir das 9h, no horário de Brasília.
A expectativa é de que a delegação brasileira encerre a competição com mais uma medalha, depois do desempenho histórico de Rebeca Andrade no salto.
