Noite de metal teve chuva, protesto, fã no palco e apresentação de despedida do Sepultura - Foto: Divulgação / Moriva
O metal tomou conta da Cidade do Rock neste sábado (5), no segundo dia do Rock in Rio 2026. Com chuva intermitente e uma programação concentrada no gênero, o festival reuniu nomes de diferentes gerações e estilos, de Sepultura e Avenged Sevenfold a Poppy, Bad Omens e Bring Me The Horizon. A noite também foi marcada por um momento de tensão durante a apresentação de MGK e por um protesto do Black Pantera contra a escala de trabalho 6×1.
A programação deste sábado encerrou os dois dias dedicados ao rock. A partir deste domingo (6), o festival passa a apostar em uma seleção mais voltada ao pop, com apresentações de Calvin Harris, Ne-Yo e Black Eyed Peas. Para o segundo dia, foram colocados à venda 100 mil ingressos, mas a carga não foi esgotada.
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Entre os principais shows da noite, o Avenged Sevenfold voltou ao posto de atração principal, mas encontrou uma plateia menos participativa do que em sua passagem anterior como headliner. Já o Bad Omens conseguiu mobilizar principalmente o público mais jovem, enquanto o Bring Me The Horizon transformou o Palco Mundo em uma espécie de videogame de terror.
Avenged Sevenfold tem recepção mais morna
Headliner do segundo dia, o Avenged Sevenfold subiu ao Palco Mundo com cerca de 30 minutos de atraso, sem apresentar uma justificativa para a demora. A recepção também ficou abaixo daquela registrada pelo grupo em 2024, quando a banda retornou ao festival após uma década e foi recebida com entusiasmo pelos fãs.

O próprio vocalista M. Shadows percebeu a diferença. Em determinado momento, comentou que o público estava “tão educado” e questionou se a chuva seria responsável pelo comportamento mais contido.
A banda voltou ao Brasil em janeiro, em uma nova passagem pelo país, e a apresentação deste sábado representou a terceira visita do grupo em apenas dois anos. Apesar da forte presença de fãs na Cidade do Rock, o desempenho acabou perdendo força diante da reação provocada por outras atrações do dia.
Bad Omens conquista nova geração do metal
Do outro lado, o Bad Omens aproveitou a estreia no Rock in Rio para reforçar a conexão com uma geração mais jovem de fãs. A banda americana de metalcore retornou ao Brasil dois anos depois de sua apresentação no Knotfest, em São Paulo.
O repertório percorreu diferentes momentos da carreira, com destaque para o álbum “The Death of Peace of Mind”, lançado em 2022 e responsável por ampliar a projeção internacional do grupo.
“Just Pretend”, um dos maiores sucessos da banda, ficou para o trecho final do show. A música ganhou enorme alcance nas redes sociais, especialmente no TikTok, e levou o público a cantar em coro, com celulares e braços levantados.
Bring Me The Horizon mistura metal e videogame
Depois de 22 anos de carreira, o Bring Me The Horizon finalmente estreou no Rock in Rio. A apresentação marcou a sexta passagem do grupo britânico pelo Brasil e teve como centro o vocalista Oli Sykes.
A banda abriu o show com “DArkSide”, do álbum “Post Human: Nex Gen”, de 2024. A partir daí, a apresentação foi construída como uma grande partida de videogame, com caveiras, tumbas e destroços ocupando o telão.
Oli também chamou um fã vestido com a camisa da seleção brasileira para cantar no palco. O grupo recuperou ainda músicas do início da carreira, atendendo aos fãs que acompanham a banda desde os primeiros anos.
Em um dos momentos de descontração, o vocalista se confundiu e chamou o Rio de Janeiro de São Paulo.
Poppy leva contraste entre pop e metal ao Sunset
A cantora Poppy começou a apresentação com uma imagem que poderia remeter ao pop. Vestida com um figurino em tons de verde e azul, ela abriu o show com “Have You Had Enough”, em uma performance inicialmente delicada.
A mudança veio conforme as músicas ganharam peso. A artista passou do visual mais próximo do universo pop para vocais guturais, acompanhada por uma banda mascarada e por uma produção marcada por fumaça e fogo.
A mistura de elementos delicados e agressivos é uma das características da carreira de Poppy. Antes de se consolidar como cantora, ela ficou conhecida na internet por vídeos enigmáticos nos quais interpretava uma espécie de personagem androide. A trajetória musical começou no pop eletrônico, mas posteriormente ganhou forte influência do metal.
MGK é hostilizado antes dos shows principais

A apresentação de MGK foi marcada por um episódio de hostilidade por parte de integrantes do público que aguardava as atrações de metal. O artista americano, conhecido anteriormente como Machine Gun Kelly, interrompeu o show em determinado momento para pedir calma.
A relação entre o cantor e parte dos fãs de metal já era marcada por resistência. Aos 36 anos, Colson Baker levou ao Rio um repertório que percorre diferentes fases de sua carreira, iniciada no rap e posteriormente aproximada do emo e do pop punk.
O show começou com “FIX UR FACE”, lançada no ano passado. Entre as escolhas, ficou de fora “Bad Things”, um dos maiores sucessos do cantor, gravado com Camila Cabello.
Black Pantera protesta contra escala 6×1
O Black Pantera também aproveitou o segundo dia do festival para levar uma pauta social ao palco. Durante a apresentação no Sunset, o trio mineiro fez críticas ao racismo e defendeu o fim da escala de trabalho 6×1.
O grupo abriu o repertório com “Hórus”, faixa lançada em 2026 e marcada por referências ao sincretismo religioso. A apresentação foi acompanhada por rodas de bate-cabeça e sinalizadores entre o público.

Cerca de 20 minutos depois, Prika Amaral, da banda Nervosa, apareceu no palco para cantar “Serotonina”, parceria originalmente gravada com a rapper Duquesa.
Sepultura faz penúltimo show no Brasil
A despedida do Sepultura ganhou um recorte específico no Rock in Rio. O grupo realizou no sábado seu penúltimo show no Brasil antes do encerramento da atual turnê e apresentou um repertório concentrado na chamada era Derrick Green.
O vocalista assumiu o posto em 1998, dois anos depois da saída de Max Cavalera, um dos fundadores da banda. Segundo Andreas Kisser, a ideia de dedicar uma apresentação exclusivamente a esse período vinha sendo solicitada pelos fãs havia anos.
A escolha permitiu ao grupo revisitar essa fase sem ignorar o peso histórico dos primeiros anos da banda. Em meio à turnê “Celebrating Life Through Death”, o festival também serviu como espaço para uma apresentação considerada especial pelo grupo.

Malvada abre o Sunset com Day Limns
A Malvada abriu o Palco Sunset no sábado e voltou ao Rock in Rio quatro anos depois de sua primeira participação no festival, em 2022, quando tocou na Rock District.
Desde então, a banda ampliou sua presença na cena brasileira e passou a dividir palcos com nomes como Pitty, Angra, Extreme e Tom Morello. O grupo também lançou um novo álbum em 2025 e levou sua música para apresentações na França, Alemanha e Holanda.
Durante o show, a cantora Day Limns foi convidada a subir ao palco. A participação aproximou duas representantes de diferentes vertentes do rock nacional contemporâneo: o hard rock da Malvada e a mistura de pop e rock presente no trabalho de Day.

Com o encerramento da programação de rock, o Rock in Rio inicia neste domingo (6) uma nova fase do festival. O evento segue na Cidade do Rock até 13 de setembro.
