Panfletos tinham QR Code com links do político e pedido de voto para ele e Antonio Rueda - Foto: Reprodução
Panfletos de campanha do deputado federal eleito Márcio Canella (União Brasil-RJ) foram apreendidos pela Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira (19), na residência de um investigado por envolvimento em um esquema de monopólio de serviços de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho (CV). O imóvel fica no condomínio Quinta do Rio, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio.
A apreensão ocorreu durante a Operação Backbone, que investiga a exploração de provedores de internet pela facção criminosa e levou à prisão de Lccas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, irmão do rapper Oruam, e de Márcia Gama Nepomuceno, mãe dos dois. Segundo informações divulgadas pela TV Globo, a casa onde o material foi encontrado pertence ao responsável por um dos provedores investigados.
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Os impressos não apresentavam o número de candidatura de Canella. O material continha um QR Code que direcionava para uma página com links relacionados ao político, além de um pedido de voto para ele e para Antonio Rueda, também eleito deputado federal. A apreensão, por si só, não comprova eventual envolvimento do parlamentar no esquema investigado pela operação.
Deputado foi preso em outra operação
Ex-prefeito de Belford Roxo, Canella foi preso na última quinta-feira (15), durante a Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de 96 postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.
De acordo com a PF, o parlamentar é apontado como articulador de uma organização criminosa armada. Ele também é investigado por suspeitas de corrupção ativa e passiva e formação de cartel.
As apurações indicam que os postos movimentaram R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. Após a prisão, a defesa de Canella declarou que ele confia “em Deus e na Justiça” e tem certeza de que os fatos serão esclarecidos.

Esquema de internet movimentava dinheiro do tráfico
A Operação Backbone busca desarticular um esquema de controle do fornecimento de internet em comunidades sob domínio do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, empresas investigadas atuavam nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, onde o serviço também seria utilizado para lavar dinheiro da facção.
Além de Lucca e Márcia, o vereador do Rio Fabio Silva (Podemos) foi preso na ação. Um mandado de prisão também foi cumprido contra Marcinho VP, que já estava encarcerado. Conforme a PF, ele continuaria controlando atividades empresariais nos territórios investigados, com a participação de familiares e outras lideranças criminosas.
Até a última atualização divulgada, 20 dos 23 mandados de prisão preventiva haviam sido cumpridos.
Justiça bloqueia até R$ 558 milhões
De acordo com os investigadores, os lucros do esquema eram transferidos à família por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. Os recursos seriam dissimulados em negócios como produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão e criptoativos.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas.
A PF aponta que traficantes armados impediam a entrada de operadoras regulares e concorrentes nas comunidades. Em contrapartida, os provedores autorizados pela facção pagariam mensalmente uma tarifa para atuar nesses territórios.
Registros contábeis analisados pelos investigadores indicam que, em apenas um mês, as cobranças relacionadas ao serviço de internet representaram mais de 40% de toda a arrecadação do grupo criminoso no Complexo da Penha.
Para a Polícia Federal, a exploração desse mercado se tornou uma importante fonte de renda do crime organizado e contribui para disputas pelo controle territorial.
Investigações apuram relação entre agentes públicos e facções
As operações Backbone e Unha e Carne fazem parte de investigações da Polícia Federal no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. Entre as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) está a apuração de possíveis relações entre agentes públicos e organizações criminosas.
