Declarações ocorrem em meio ao impasse nas negociações e à disputa pelo Estreito de Ormuz - Foto: Divulgação / White House
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou nesta segunda-feira (17) o tom das ameaças contra o Irã e afirmou que o país deveria se render para encerrar o conflito entre as duas nações. Em entrevista por telefone à Fox News, Trump também advertiu que Omã poderá ser alvo de bombardeios caso intervenha nas negociações relacionadas à reabertura do Estreito de Ormuz.
Segundo Trump, uma rendição iraniana seria o caminho para colocar fim à guerra. “Eles deveriam hastear a bandeira branca da rendição”, afirmou o presidente americano ao ser questionado pela emissora.
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As declarações ocorrem no mesmo dia em que se completa o prazo de 60 dias previsto em um memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã. O documento estabelecia o encerramento imediato e permanente das operações militares e previa negociações para um acordo definitivo, incluindo questões relacionadas ao programa nuclear iraniano.
O entendimento, porém, perdeu força nas semanas seguintes. Trump declarou em 7 de julho que o acordo estava “acabado”. Uma semana depois, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o pacto estava “suspenso”. O prazo de 60 dias poderia ser ampliado caso os dois países concordassem.
Ameaça a Omã
Paralelamente ao impasse entre Washington e Teerã, Omã e Irã negociam uma possível solução para restabelecer o tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de energia.
Antes do início dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, cerca de 20% dos suprimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito passavam pela região.
Questionado sobre a atuação de Omã nas negociações, Trump fez uma ameaça direta. “Se Omã se intrometer, vamos bombardeá-los”, declarou à Fox News.
A disputa em torno do estreito contribuiu para a alta dos preços dos combustíveis e aumentou a pressão sobre o governo americano para buscar uma saída para o conflito. A guerra ocorre ainda em um contexto político delicado nos Estados Unidos, com as eleições de meio de mandato marcadas para novembro, quando estará em jogo o controle do Congresso.
Trump negou, no entanto, que o calendário eleitoral esteja influenciando sua estratégia em relação ao Irã. “As eleições de meio de mandato não têm nada a ver com o meu pensamento”, afirmou.
Programa nuclear no centro da estratégia americana

Na manhã desta segunda, Trump voltou a destacar, em sua plataforma Truth Social, que impedir o Irã de desenvolver uma arma nuclear continua sendo a principal justificativa americana para o conflito.
“O objetivo número um é, e sempre será, que o Irã não possa ter, de forma alguma, uma arma nuclear”, escreveu o presidente.
A declaração reforça a posição apresentada por Trump desde o início dos ataques, enquanto as negociações para um novo entendimento permanecem sem avanço e a disputa pelo Estreito de Ormuz adiciona uma nova frente de tensão no Oriente Médio.
