Ex-psiquiatra do Exército será executado por fuzilamento em 3 de dezembro - Foto: Divulgação / Departamento do Xerife do Condado de Bell
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, barrou a transmissão ao vivo da execução de Nidal Hasan, ex-psiquiatra do Exército condenado por matar 13 militares em 2009. O fuzilamento continua previsto para 3 de dezembro, mas não será exibido pela internet. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (15), após a proposta provocar uma onda de críticas no país.
O plano havia sido apresentado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que defendia a transmissão como forma de mostrar as consequências de ataques terroristas. A ideia, porém, enfrentou resistência até entre aliados republicanos de Trump, além de líderes religiosos e da opinião pública.
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Em publicação na rede social Truth Social, Trump disse que a exibição poderia servir como exemplo para o mundo, mas reconheceu que muitas pessoas não gostariam de assistir à morte do condenado. O presidente afirmou que a execução será realizada conforme o cronograma, sem transmissão por vídeo.
O vice-presidente JD Vance também esteve entre os republicanos que manifestaram dúvidas ou oposição à iniciativa. O arcebispo Timothy Broglio, responsável pela assistência espiritual aos militares católicos americanos, questionou a proposta. Já o papa Leão XIV condena a pena de morte em todas as suas formas.
Racha no governo
A decisão expôs uma rara divergência pública entre Trump e Hegseth, um dos principais aliados do presidente. Apesar disso, o Pentágono afirmou que os dois estão alinhados.
Segundo Sean Parnell, porta-voz do Departamento de Defesa, Trump conversou com o secretário antes de anunciar o cancelamento. O senador republicano John Curtis, de Utah, considerou a medida correta. Já o deputado democrata Richard Neal, de Massachusetts, havia classificado a proposta original como uma falha de julgamento moral e de respeito à dignidade humana.
As famílias das vítimas poderão acompanhar a execução presencialmente, caso desejem. Não há registro conhecido de outro país que transmita execuções judiciais pela televisão ou pela internet.
Ataque deixou 13 mortos
Hasan foi condenado por um júri militar por assassinato premeditado após abrir fogo contra militares desarmados em uma instalação médica da base de Fort Hood, no Texas, em 2009. Além dos 13 mortos, outras 32 pessoas ficaram feridas.
Durante o ataque, agentes de segurança atiraram contra o ex-psiquiatra, que ficou paralisado da cintura para baixo e passou a usar cadeira de rodas.
Ainda não havia confirmação de que a data da execução seria alterada por eventuais questionamentos judiciais. Um advogado de Hasan não foi localizado imediatamente para comentar o caso.
A discussão sobre a pena de morte nos Estados Unidos ganhou força após uma tentativa malsucedida de execução de Christa Pike, condenada por assassinato na década de 1990. No mês passado, duas tentativas de aplicação de injeção letal no Tennessee fracassaram, deixando a mulher gravemente ferida e com necessidade de internação hospitalar.
