Decisão de juíza federal americana estabelece prazo para depoimento sobre edição de discurso exibido antes da eleição de 2024 - Foto: Divulgação / Casa Branca
Donald Trump terá que prestar depoimento sob juramento até 11 de dezembro no processo em que cobra pelo menos US$ 10 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões) da emissora britânica BBC. A determinação foi anunciada nesta quinta-feira (22) por uma juíza federal dos Estados Unidos, após a defesa do presidente ser acusada de atrasar o andamento da ação judicial.
A decisão foi tomada pela magistrada Enjolique Lett durante uma audiência. Trump havia cancelado um depoimento previsto para outubro, alegando conflitos com as responsabilidades do cargo presidencial. A equipe jurídica do republicano, porém, nega que ele esteja tentando evitar os questionamentos e afirma que os compromissos oficiais e as necessidades de segurança do presidente devem ter prioridade.
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O processo foi aberto em dezembro, em um tribunal federal da Flórida. Trump acusa a BBC de editar de maneira enganosa trechos de um discurso de 6 de janeiro de 2021, dando a impressão de que ele teria orientado apoiadores a invadir o Capitólio, sede do Congresso americano.
O material foi exibido no programa documental Panorama, pouco antes da eleição presidencial de 2024, vencida por Trump. A edição do discurso provocou uma crise na emissora depois que um memorando interno vazado apontou os cortes como possível evidência de parcialidade política. O episódio também levou a renúncias de integrantes da alta cúpula da BBC.
A emissora reconheceu que a montagem foi enganosa e pediu desculpas ao presidente americano, mas rejeita a acusação de difamação e nega ter responsabilidade legal pelos danos alegados. Procurada, a BBC não comentou a nova decisão judicial.
Durante a fase de coleta de provas, conhecida como discovery no sistema jurídico americano, a defesa da emissora acusou Trump e seus advogados de dificultarem o fornecimento de documentos e informações solicitados para a preparação do caso.
Entre os dados requisitados estão registros financeiros do clube de Trump em Mar-a-Lago e de empresas ligadas ao presidente. A BBC sustenta que os documentos são necessários para contestar o valor da indenização reivindicada. Os advogados do republicano, por outro lado, consideram os pedidos excessivamente abrangentes e sem relação com o objeto da ação.
Um porta-voz da equipe jurídica pessoal de Trump afirmou que o processo busca responsabilizar a BBC por difamação e por uma suposta “interferência eleitoral irresponsável”. A disputa faz parte de uma série de ações movidas pelo presidente contra veículos de comunicação, em meio à pressão judicial sobre reportagens e coberturas das quais ele discorda.
