Presidente americano critica veículos, enquanto governo afirma que jornalistas podem trabalhar do lado de fora - Foto: Divulgação / Casa Branca
CNN, Politico e MS NOW entraram com uma ação na Justiça dos Estados Unidos contra Donald Trump e integrantes de seu governo após serem impedidos de acessar as dependências da Casa Branca. As empresas alegam que a restrição viola a Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de imprensa.
O processo foi apresentado nesta segunda-feira e pede uma ordem judicial temporária para restabelecer o acesso dos jornalistas ao complexo presidencial. Uma audiência sobre o caso está prevista para quarta-feira (23).
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A disputa ocorre em meio ao agravamento das relações entre Trump e veículos de imprensa. As organizações argumentam que a Casa Branca não pode excluir jornalistas em razão da cobertura que fazem do presidente e de seu governo.
O que diz a Casa Branca
Procurada pelo Portal, a Casa Branca defendeu a decisão de impedir o acesso dos três veículos. Em resposta à reportagem, o governo afirmou:
“As Fake News não têm lugar para exigir um espaço no Salão Oval do presidente. As mentiras que disseminam prestam um desserviço ao público americano e atacam a própria estrutura da nossa democracia. Eles são perfeitamente capazes de fazer suas reportagens diretamente do lado de fora.”
Ainda em nota, a Casa Branca também enviou a manifestação de Donald Trump sobre o processo. O presidente voltou a atacar CNN, Politico e MS NOW. Trump classificou a CNN como “Fake News”, questionou o Politico sobre uma suposta contribuição de US$ 8 milhões feita pelo governo dos Estados Unidos e chamou a MS NOW de “MSDNC”, em referência à MSNBC.
Trump também criticou o juiz Timothy Kelly, responsável pelo processo. O magistrado foi nomeado pelo próprio presidente em 2017 e, em 2018, decidiu a favor de Jim Acosta, então correspondente da CNN na Casa Branca, em uma disputa envolvendo o acesso do jornalista ao complexo presidencial.
“Eles conseguiram um ótimo juiz para eles”, afirmou Trump ao comentar a escolha de Kelly para o caso.
O presidente também disse que o governo deverá recorrer caso seja derrotado na Justiça. Segundo Trump, veículos que, em sua avaliação, publicam informações falsas e difamatórias e fazem uma cobertura negativa de sua administração não deveriam ter acesso ao Salão Oval.
“O Salão Oval deveria ser tratado com decoro, respeito e dignidade, e não profanado por palhaços de terceira categoria que deliberadamente distorcem, deturpam e degradam tudo o que escrevem ou publicam”, afirmou.
Trump ainda declarou que praticamente todas as reportagens sobre ele ou relacionadas a seu governo são “negativas, erradas e, em muitos casos, perigosas para o nosso país”.
Disputa pelo acesso à Casa Branca
A CNN é uma das cinco organizações de televisão que integram o sistema de cobertura compartilhada de eventos presidenciais, ao lado de ABC, CBS, Fox e NBC. A emissora estava escalada para acompanhar uma viagem de Trump a Nova York, mas não conseguiu fornecer o sinal compartilhado previsto.
Outras emissoras também suspenderam a participação no sistema de cobertura conjunta. A transmissão de áudio disponibilizada pela própria Casa Branca apresentou problemas durante o episódio.
A decisão de restringir o acesso ocorre em um momento de crescente tensão entre o governo Trump e organizações de imprensa. O presidente já entrou em conflito com jornalistas e veículos durante seu primeiro mandato e, desde o retorno à Casa Branca, voltou a questionar publicamente a cobertura da imprensa.
No processo, CNN, Politico e MS NOW sustentam que a exclusão dos jornalistas representa uma interferência indevida na atividade jornalística. A Casa Branca, por sua vez, afirma que os veículos podem continuar fazendo a cobertura do governo a partir das áreas externas do complexo presidencial.
O caso está sob análise do juiz Timothy Kelly, que deverá ouvir os argumentos das partes na audiência marcada para quarta-feira.
