Grupo pretende reduzir pela metade a linha de modelos até 2035 - Foto: Divulgação
O Grupo Volkswagen prepara uma ampla redução de sua estrutura global, com a previsão de cortar cerca de 50 mil postos de trabalho e diminuir pela metade o número de modelos de seu portfólio até 2035. As medidas fazem parte do Plano Futuro 2030, aprovado por unanimidade pelo conselho de supervisão da companhia na quinta-feira (3). A reestruturação ocorre em um momento de pressão sobre a indústria automotiva, marcado pela queda das vendas na China, pelo aumento das tarifas nos Estados Unidos e pela transformação tecnológica do setor.
O plano reúne 12 iniciativas consideradas estratégicas para recuperar a competitividade do conglomerado. De acordo com a Volkswagen, as medidas já começaram a ser conduzidas pela diretoria executiva em conjunto com as marcas, subsidiárias e representantes dos funcionários.
- Novo hotel no Galeão terá investimento de R$ 90 milhões
- Kenner traduz o universo do Flamengo em novos modelos
- Moda western ganha versão urbana em novo drop
- Verde ganha espaço na forma como brasileiros escolhem onde morar
- CASACOR leva novas tendências de decoração a diferentes regiões do Brasil
Entre os principais pontos está a redução da força de trabalho. Aproximadamente 50 mil funcionários deverão deixar o grupo, incluindo profissionais que ocupam cargos de gestão. A companhia afirma que o ajuste será necessário para adequar sua estrutura aos novos níveis de demanda e reduzir custos.
“Diante da intensificação da concorrência global, da mudança na demanda e das transformações tecnológicas na indústria automotiva, um alinhamento consistente da capacidade da força de trabalho com a realidade econômica é essencial”, afirmou a Volkswagen em nota.
Portfólio será reduzido
A reestruturação também atingirá diretamente a oferta de veículos. A Volkswagen pretende simplificar seu portfólio em aproximadamente 50% até 2035 e reduzir em cerca de 75% a complexidade da gama de produtos.
Na prática, a estratégia significa trabalhar com menos modelos e menos versões de cada veículo. A empresa espera, com isso, concentrar a produção em produtos considerados mais atraentes, aumentar o volume por modelo e diminuir os custos de fabricação.
A redução da gama também deve ter impacto sobre as diferentes marcas que integram o conglomerado. O movimento ocorre em meio a especulações sobre o futuro da Seat, cuja descontinuação até 2030 vem sendo discutida no mercado. A Volkswagen, porém, não confirmou o encerramento da marca no anúncio do Plano Futuro 2030.
Quatro fábricas na Alemanha estão sob análise
A situação de quatro unidades industriais alemãs ainda não foi definida. As fábricas de Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm não têm fechamento previsto neste momento, mas o grupo deverá decidir até o fim de junho de 2027 como elas serão utilizadas nos próximos anos.
Segundo a Volkswagen, a capacidade produtiva instalada na Europa atualmente supera a demanda em mais de 500 mil veículos.
“Uma alocação de produção futura competitiva para as fábricas [alemãs] de Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm não pode ser garantida de forma escalonada entre 2031 e 2034. Paralelamente, e em complemento a isso, estão sendo avaliadas utilizações alternativas para essas fábricas”, afirmou a empresa.
A possibilidade de novos usos para as unidades indica que a discussão não está restrita ao fechamento das instalações. A companhia também analisa maneiras de aproveitar a estrutura industrial existente diante da redução da demanda.
China terá nova estratégia
A retração das vendas na China é um dos fatores que levaram à revisão dos planos da Volkswagen. O mercado chinês passou a apresentar perspectivas de crescimento menores, ao mesmo tempo em que fabricantes locais ganharam espaço na disputa por consumidores.
A empresa pretende concentrar sua atuação nos segmentos mais rentáveis e ampliar a produção destinada à exportação para países do Sul Global.
“Na China, o grupo está se adaptando às expectativas revisadas de crescimento do mercado automotivo chinês e expandindo suas exportações para o Sul global”, informou a Volkswagen.
Nos Estados Unidos, as tarifas também aumentaram a pressão sobre as operações. O grupo pretende ajustar sua estratégia comercial diante das novas condições do mercado e priorizar atividades com maior potencial de retorno.
Investimento de € 135 bilhões
Mesmo com a redução da estrutura, a Volkswagen mantém a meta de comercializar cerca de 9 milhões de veículos por ano. O volume corresponde ao total registrado pelo grupo no ano fiscal de 2025.
Para os próximos anos, a companhia prevê € 135 bilhões em investimentos de capital e pesquisa e desenvolvimento entre 2027 e 2031. A intenção é direcionar os recursos para produtos e tecnologias considerados estratégicos para o futuro das marcas.
“Este é um forte sinal para o futuro do Grupo Volkswagen. Estamos assumindo a responsabilidade por toda a nossa força de trabalho, pelos nossos parceiros e pelos empregos industriais em todo o mundo. Nos próximos anos, investiremos uma quantia de três dígitos bilionários para tornar nossas marcas icônicas ainda mais atraentes, fortes e competitivas”, afirmou Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen.
A combinação entre redução de funcionários, enxugamento da linha de veículos e revisão da capacidade industrial representa uma das maiores transformações já anunciadas pelo grupo. A Volkswagen pretende, com o Plano Futuro 2030, reduzir despesas e simplificar sua operação sem abrir mão da meta de manter presença global e um volume anual de vendas próximo de 9 milhões de veículos.
