Atriz diz que ser odiada por interpretar uma vilã é sinal de que o trabalho está dando resultado - Foto: Divulgação / TV Globo / Beatriz Damy
Isabel Teixeira não quer saber de aliviar a barra de Pilar em “Quem Ama Cuida”. Pelo contrário: a atriz espera que a personagem desperte cada vez mais raiva no público da novela das nove. Para ela, ser xingada por causa da vilã é sinal de que o trabalho está funcionando.
Durante uma conversa com Marcos Mion no “Caldeirão” deste sábado (5), Isabel contou que encara a repercussão negativa de Pilar de maneira positiva. A personagem é irmã de Arthur Brandão (Antonio Fagundes) e tem provocado reações entre os telespectadores.
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A atriz chegou a transformar os ataques à vilã em uma espécie de brincadeira sobre a situação do país. Segundo Isabel, em vez de os brasileiros brigarem entre si, poderiam concentrar a revolta na personagem.
“A gente é um país continental, e a gente tem brigado muito. Se a gente tem um lugar em comum para xingar, eu digo: ‘Xinguem mesmo a Pilar!’”, afirmou.
Na sequência, Isabel defendeu que a vilã seja um ponto de encontro para o público. “Vamos xingar a Pilar em vez de nos xingarmos uns aos outros. E vamos viver o dia em harmonia, fazendo um país inteiro, juntos, juntas, se movimentar”, completou.
A declaração aconteceu quando Mion visitava os bastidores da novela. O apresentador acompanhava o trabalho da diretora Amora Mautner, que tem apostado no improviso para deixar as cenas mais naturais, quando encontrou Isabel no camarim dos Estúdios Globo.
Mion aproveitou o encontro para perguntar como a atriz lida com o fato de ser elogiada justamente por interpretar uma vilã. “Como está sendo esse processo de ser amada por fazer uma vilã? Faz você querer ser mais vilã ainda?”, perguntou o apresentador. A resposta foi imediata: “Faz. Porque eu acho isso muito legal”.
Isabel também lembrou a relação que construiu com as novelas desde a infância. Ao falar sobre personagens odiados pelo público, a atriz citou Perpétua, interpretada por Joana Fomm em “Tieta”.
“Eu fui criada por novelas”, contou. Para ela, uma vilã precisa justamente provocar esse tipo de reação. “É feita para ser odiada mesmo”, afirmou.
A atriz ainda resgatou lembranças da família em Ubatuba, no litoral de São Paulo. Segundo Isabel, sua avó e os irmãos, que eram pescadores, tinham o hábito de se arrumar para assistir às novelas.
Durante os capítulos, a sala de casa virava uma espécie de arquibancada. Os familiares xingavam personagens, davam palpites e tentavam antecipar os próximos acontecimentos.
“De repente todo mundo começava a xingar, a dar palpite, a falar: ‘Não era para ir para aí, era para ir para lá’”, recordou.
Foi observando essas reações que Isabel entendeu o poder da novela de mexer com quem está do outro lado da tela. “Eu via aquilo e pensava: ‘O que eles estão vendo para ficarem tão mexidos?’”, contou.
Para a atriz, esse envolvimento faz parte da própria função do gênero. “Novela é para isso mesmo, é para desopilar o fígado”, resumiu.
Escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, “Quem Ama Cuida” é ambientada em São Paulo e tem direção artística de Amora Mautner. A novela das nove está prevista para permanecer na programação até janeiro de 2027.
