Programação gratuita inclui artistas do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde - Foto: Divulgação
O intercâmbio entre artistas de países de língua portuguesa e representantes de culturas originárias ganha espaço no Centro Cultural São Paulo (CCSP) entre os dias 18 e 27 de setembro. Em sua 15ª edição, o Circuito de Teatro em Português e Outras Línguas reúne oito espetáculos, apresentações musicais e de dança, atividades formativas, seminários e ações ritualísticas, com programação gratuita.
Criado em 2003 pela atriz, produtora cultural e diretora artística Creuza Borges, o circuito chega aos 23 anos com uma proposta ampliada. Além de promover o diálogo entre os nove países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), a edição deste ano inclui manifestações ligadas às línguas e culturas originárias da África e do Brasil.
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Ao longo de sua história, o evento contabiliza 473 espetáculos, 97 oficinas e 40 seminários realizados em dezenas de cidades brasileiras. Mais de 119 mil espectadores já passaram pelas atividades do circuito.
Programação
A abertura será no dia 18, às 20h, com “Vozes da Primeira Nação”, ação ritualística que terá a participação do pajé Yuquetee Munduruku e de seus parentes, representantes da Primeira Nação do Brasil. Cantos tradicionais, saudações e expressões culturais do povo Munduruku serão utilizados em uma cerimônia que simboliza a abertura espiritual da programação. Representantes dos nove países de língua portuguesa também estarão presentes.
No dia 19, às 20h, Portugal será representado pela Cia. Lobo Solitário com “Damas da Noite – Uma Farsa de Elmano Sancho”. A montagem acompanha Cléopâtre, criança que nasceu menino, embora a família esperasse uma menina, e aborda o universo do transformismo e das drag queens.
A programação infantojuvenil entra em cena no dia 20, às 15h, com “O Segredo do Rio”, da companhia portuguesa Chão de Oliva. O espetáculo de teatro de bonecos é inspirado no livro homônimo de Miguel Sousa Tavares e apresenta a amizade entre um peixe e um rapaz.
Ainda no dia 20, às 20h, o Grupo Piscadur di Letras, da Guiné-Bissau, leva ao palco “O Marinheiro”, adaptação do único texto teatral escrito por Fernando Pessoa. A montagem incorpora músicas, cantos e tradições guineenses à narrativa criada pelo poeta português.

A atriz Leona Cavalli apresenta “Elogio à Loucura” no dia 22, às 20h. Dirigido por Eduardo Figueiredo, o solo parte da obra de Erasmo de Rotterdam, escrita no século XVI, para discutir questões contemporâneas relacionadas às relações de poder, à política, à religião e aos retrocessos éticos e sociais. A montagem trata a loucura como parte da condição humana e propõe uma reflexão sobre empatia e civilidade.
A música de Cabo Verde será destaque no dia 23, às 20h. O cantor Leroy Pinto se apresenta ao lado de artistas brasileiros e de outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em um encontro que aproxima referências tradicionais e sonoridades contemporâneas.
No dia 24, às 20h, a Cia. Dragão 7 apresenta “Inês de Castro, Até o Fim do Mundo”. A montagem brasileira revisita a história de amor entre Dom Pedro I e Inês de Castro, personagem que se tornou uma das figuras mais conhecidas da tradição literária portuguesa.
Angola participa da programação no dia 25, às 20h, com “Ondas da Emoção”, do Teatro de Pitabel. A peça acompanha N’dala, mulher que enfrenta uma sucessão intensa de sentimentos e percebe que a tentativa de fugir das próprias emoções amplia seus conflitos. O espetáculo utiliza a experiência da personagem para abordar escuta, conscientização social e transformação.
Do Pará vem outro dos destaques brasileiros. “A Casa D’Água”, da Companhia de Teatro Arte & Fato, será apresentada no dia 26, às 20h. Ambientada durante a cheia da Amazônia de 1954, a peça revisita a chamada “lenda do boto”, tradicionalmente associada a Luís da Câmara Cascudo, para expor casos de violência sexual contra meninas e mulheres, inclusive no ambiente familiar.
O encerramento da programação artística será no dia 27, às 19h, com “Tambores da Ancestralidade”, da Associação Cultural Raízes, de Moçambique. O espetáculo de dança se inspira em manifestações tradicionais como Xigubo, Niketche, Marrabenta, Mandique, Xindimba, Murimwa e Utsy. Dança, poesia, canto e percussão são combinados em uma celebração da ancestralidade, da resistência e da memória coletiva.
Cultura em português
A agenda inclui ainda atividades dedicadas à formação e à articulação entre profissionais do setor cultural. No dia 21, às 20h, o Seminário de Intercâmbio e Economia Criativa discutirá o fortalecimento de organizações artísticas e acadêmicas, além da atuação de criadores, produtores e artistas. A atividade dará atenção à participação de pessoas negras, indígenas, integrantes da comunidade LGBTQIA+ e outros grupos historicamente marginalizados nos países da CPLP e no Sul Global.
No dia 27, às 15h, o Seminário sobre Línguas Maternas dos Povos Originários do Brasil e da África reunirá música, dança, teatro e gastronomia. Participam artistas e convidados do Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e Portugal.
As oficinas completam a programação. Entre as atividades estão a oficina-show “Encontro Musical Brasil–Cabo Verde”, com Leroy Pinto, de 19 a 22 de setembro, das 14h às 17h; a “Oficina de Teatro de Objetos e Bonecos”, com Nuno Pinto, de Portugal, no dia 21, das 14h às 17h; e a “Masterclass Teórico-Prática – Circuito Internacional de Teatro”, com Adérito Rodrigues, de Angola, no dia 22, das 14h às 17h.
Também serão realizadas a “Oficina de Dança de Raízes”, com Emelva Dine, de Moçambique, de 22 a 25 de setembro, das 14h às 17h; a “Oficina de Produção Cultural e Empreendedorismo”, com Dan Gregor, do Brasil, no dia 23, das 14h às 17h; e a “Oficina Prática de Literatura”, com Quim Gama, do Brasil, no dia 24, no mesmo horário.
Com a programação, o circuito busca ampliar as redes de colaboração entre artistas, pesquisadores, produtores, gestores culturais, coletivos e iniciativas independentes. A proposta é utilizar as artes cênicas e outras manifestações culturais como instrumentos de intercâmbio, preservação da memória e aproximação entre diferentes territórios e comunidades.
