Grupo defende realização de segundo turno entre Eduardo Paes e Douglas Ruas após anulação dos votos de Garotinho - Foto: Reprodução
O PL, partido do governador eleito Douglas Ruas, entrou na Justiça para tentar tirar do ar o canal de WhatsApp “Exército do Dudu 55”, criado por apoiadores de Eduardo Paes (PSD) para defender a realização de um segundo turno na disputa pelo Governo do Estado do Rio. A legenda também quer identificar os responsáveis pela administração do grupo e questiona publicações que, segundo a representação, colocam em dúvida o resultado oficial das eleições.
A ação cita três aliados de Paes: o deputado federal eleito Renan Ferreirinha (PSD), o secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, e a deputada estadual eleita Joyce Trindade (PSD). De acordo com o partido, os políticos participaram da divulgação da mobilização nas redes sociais.
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O canal chegou a reunir aproximadamente 60 mil seguidores no período analisado pela legenda e teve como inspiração o “Exército do Lula”, criado durante a campanha presidencial para organizar apoiadores no ambiente digital. No Rio, a iniciativa busca pressionar pela realização de uma nova votação entre Paes e Ruas, após a anulação dos votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos). Até a publicação desta matéria, o grupo já passa de 260 mil integrantes.
Na representação, o PL aponta diferentes formas de participação dos aliados do ex-prefeito. Ferreirinha, que comandou a Secretaria Municipal de Educação na gestão de Paes, aparece em um vídeo defendendo o segundo turno e incentivando a adesão de eleitores ao movimento. Já Diego Vaz e Joyce Trindade são mencionados pela divulgação de artes e convites para que usuários entrassem no canal.
Para o partido, algumas publicações ultrapassam os limites de uma manifestação política e podem levar os eleitores a acreditar que uma segunda votação já está definida ou que sua realização é praticamente certa. A legenda argumenta que qualquer mudança no resultado depende de uma decisão da Justiça, e não de uma mobilização nas redes sociais.
Disputa sobre o resultado da eleição
Um dos principais pontos levantados pelo PL é a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que homologou por unanimidade, em 15 de outubro, a retotalização dos votos da eleição estadual.
Com a retirada dos votos de Anthony Garotinho, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Douglas Ruas passou a contabilizar 50,88% dos votos válidos, percentual suficiente para garantir a vitória no primeiro turno.
Antes da exclusão, Ruas havia obtido 49,27%, enquanto Eduardo Paes alcançou 42,76%. Naquele cenário, como nenhum dos candidatos havia ultrapassado a metade dos votos válidos, a disputa apontava para a necessidade de um segundo turno.
O PSD, porém, contesta o entendimento da Justiça Eleitoral e levou a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1362, a legenda defende que os votos de Garotinho deveriam ser considerados no cálculo da maioria absoluta, mesmo após a anulação. O caso está sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin.
O PL sustenta que a existência da ação no Supremo não modifica automaticamente o resultado proclamado pelo TRE-RJ. Por isso, considera irregular apresentar a realização de uma nova votação como algo já garantido.
Partido quer dados dos responsáveis pelo canal
Além de pedir a suspensão temporária do “Exército do Dudu 55”, o PL apresentou alternativas para o caso de a Justiça não determinar a retirada completa do canal. Uma delas é a exclusão das publicações que eventualmente forem consideradas irregulares.
A legenda também solicita que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, preserve os registros relacionados à página e forneça informações que ajudem a identificar seus criadores e administradores.
O pedido ainda será analisado pela Justiça. Até o momento, a apresentação da representação não significa que o canal tenha sido considerado ilegal ou que os políticos citados tenham cometido alguma irregularidade.
A iniciativa abre mais uma frente na disputa em torno do resultado da eleição estadual. Enquanto o PSD tenta reverter o entendimento sobre a vitória de Ruas no STF, o PL busca impedir que a mobilização digital em defesa de um segundo turno continue, nos termos questionados pelo partido, a colocar em dúvida o resultado oficial.
Procurados pela reportagem, Eduardo Paes e o PSD ainda não haviam se manifestado sobre a ação até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
‘O povo tem direito de votar’, diz Paes ao cobrar segundo turno
Em meio à disputa judicial sobre o resultado da eleição para o Governo do Rio, Eduardo Paes publicou um vídeo em seu perfil no Instagram, nesta terça-feira (3), para anunciar que vai retomar a mobilização pela realização de um segundo turno. O ex-prefeito afirmou que ficou em silêncio após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para não atrapalhar as eleições presidenciais. Segundo ele, chegou o momento de voltar a discutir o assunto.
Na gravação, Paes voltou a questionar a participação de Anthony Garotinho (Republicanos) na disputa. Ele lembrou que o ex-governador teve os direitos políticos cassados e afirmou que, apesar dos alertas feitos durante a campanha, seu nome permaneceu nas urnas. Para Paes, os cerca de 270 mil votos recebidos por Garotinho deveriam ser considerados na análise sobre a necessidade de uma segunda votação.
O político também defendeu que nenhum candidato alcançou maioria absoluta no primeiro turno e argumentou que a Constituição determina a realização de uma nova votação nesse cenário. Paes afirmou que respeitará qualquer decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas disse acreditar que o entendimento defendido pelo PSD está correto. “O povo do Rio de Janeiro tem o direito de votar”, declarou.
