'O Agente Secreto' vence na categoria de Melhor Longa-Metragem de Ficção - Foto: Divulgação / R2 Foto
O cinema brasileiro viveu uma noite histórica nesta terça-feira (4), durante a cerimônia do Prêmio Grande Otelo 2026, realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, a categoria de Melhor Longa-Metragem de Ficção terminou empatada, consagrando “Manas”, de Marianna Brennand, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, como os grandes vencedores da principal honraria da premiação.
Além de dividir o troféu mais importante da noite, os dois filmes também se destacaram em outras categorias. “Manas” encerrou a cerimônia com cinco prêmios: Melhor Direção e Melhor Roteiro Original para Marianna Brennand, Melhor Montagem de Ficção e Melhor Atriz Coadjuvante para Dira Paes, além do prêmio principal. Já “O Agente Secreto” conquistou quatro estatuetas, incluindo Melhor Direção de Arte, Melhor Direção de Fotografia e Melhor Efeito Visual.
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Apesar do reconhecimento às duas produções, o longa que mais subiu ao palco foi “Homem com H”, dirigido por Esmir Filho. O filme recebeu seis troféus, entre eles o Grande Otelo de Melhor Filme pelo Júri Popular, Melhor Trilha Sonora, Figurino, Maquiagem, Som e Melhor Ator de Longa-Metragem para Jesuíta Barbosa.
Outro destaque da noite foi “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, vencedor nas categorias de Melhor Documentário e Melhor Montagem de Documentário. Na comédia, “Velhos Bandidos”, de Claudio Torres, ficou com o prêmio de Melhor Longa-Metragem do gênero. Daniel Rezende venceu como Melhor Roteiro Adaptado por “O Filho de Mil Homens”, enquanto Rafaela Camelo foi reconhecida por “A Natureza das Coisas Invisíveis” na categoria de Melhor Primeira Direção de Longa-Metragem.
Entre as atuações, Denise Weinberg recebeu o troféu de Melhor Atriz por “O Último Azul”, filme que também garantiu a Rodrigo Santoro o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante. Nas produções seriadas, Johnny Massaro venceu como Melhor Ator por “Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente”, enquanto Alice Carvalho foi eleita Melhor Atriz por sua atuação em “Cangaço Novo”.
Na categoria dedicada ao cinema ibero-americano, também houve empate. O argentino “Belén” e o português “O Riso e a Faca” dividiram o prêmio de Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano. A atriz Camila Plaate representou a produção argentina na cerimônia, enquanto Jonathan Guilherme recebeu o troféu pelo longa português.
Promovida pela Academia Brasileira de Cinema, a edição de 2026 marcou os 25 anos da instituição e contou com apresentação de Marieta Severo e Silvia Buarque. A transmissão foi exibida ao vivo pelo Canal Brasil e pelo canal oficial da Academia no YouTube. Pela primeira vez, o público também acompanhou a cerimônia em um telão instalado na praça em frente ao Theatro Municipal, com capacidade para 250 pessoas e distribuição gratuita de pipoca.
Os finalistas ainda chegaram ao evento em um trem exclusivo do VLT Carioca, no trajeto entre o Aeroporto Santos Dumont e a Cinelândia, em uma ação especial para celebrar a premiação.

Ao todo, foram entregues 32 troféus entre longas-metragens, curtas e séries brasileiras. Os vencedores foram escolhidos pelos mais de 350 profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema, enquanto o prêmio de Júri Popular foi definido por votação aberta ao público. A edição deste ano reuniu mais de 2.140 profissionais na lista de finalistas.
A cerimônia foi aberta por Ney Matogrosso, que interpretou “O Tempo Não Para”, de Cazuza, acompanhado por Sasha ao piano e um quarteto de cordas. Durante a apresentação, imagens da cinebiografia do cantor foram exibidas no telão.
Em seu discurso, a presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata Almeida Magalhães, dedicou a noite ao produtor e cineasta Luiz Carlos Barreto, destacando sua contribuição para o fortalecimento do audiovisual nacional e para a trajetória da instituição.
Durante o evento, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, anunciou que sancionou a lei que inclui oficialmente o Prêmio Grande Otelo no calendário oficial da cidade. Segundo ele, a medida reconhece a importância da premiação para a cultura brasileira e consolida o evento como parte permanente da agenda cultural carioca.
Com direção de Batman Zavareze e roteiro de Bebeto Abrantes, a cerimônia também celebrou a diversidade do cinema nacional, destacando produções indígenas, periféricas, negras, antirracistas e LGBTQIAPN+, além de prestar homenagens aos profissionais do audiovisual falecidos no último ano e relembrar obras marcantes que fizeram parte da história do prêmio nas últimas duas décadas e meia.
Vencedores – Prêmio Grande Otelo 2026
Melhor Longa-Metragem de Ficção
Manas, de Marianna Brennand. Produção: Carolina Benevides e Marianna Brennand, por Inquietude; Beto Gauss e Francesco Civita, por Pródigo.
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. Produção: Emilie Lesclaux, por Cinemascópio Produções Cinematográficas.

Melhor Direção
Marianna Brennand, por Manas.
Melhor Primeira Direção de Longa-Metragem
Rafaela Camelo, por A Natureza das Coisas Invisíveis.
Melhor Ator de Longa-Metragem
Jesuíta Barbosa, como Ney Matogrosso, por Homem com H.
Melhor Atriz de Longa-Metragem
Denise Weinberg, como Teresa, por O Último Azul.
Melhor Atriz Coadjuvante
Dira Paes, como Aretha, por Manas.
Melhor Ator Coadjuvante
Rodrigo Santoro, como Cadu, por O Último Azul.
Melhor Longa-Metragem Comédia
Velhos Bandidos, de Claudio Torres. Produção: Claudio Torres, Renata Brandão e Juliana Capelini, por Conspiração.

Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano
Belén (Argentina) – Direção: Dolores Fonzi. Indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la Argentina.
O Riso e a Faca (Portugal) – Direção: Pedro Pinho. Indicação: Academia Portuguesa de Cinema.
Melhor Roteiro Original
Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides, Antonia Pellegrino e Camila Agustini, por Manas.
Melhor Roteiro Adaptado
Daniel Rezende, por O Filho de Mil Homens – adaptado da obra O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe.
Melhor Longa-Metragem Infantil
O Diário de Pilar na Amazônia, de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put. Produção: Juliana Capelini e Renata Brandão, por Conspiração.
Melhor Ator de Série de Ficção para TV Aberta ou Streaming
Johnny Massaro, como Fernando, por Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente.
Melhor Atriz de Série de Ficção para TV Aberta ou Streaming
Alice Carvalho, como Dinorah, por Cangaço Novo.
Melhor Série de Ficção para TV Aberta ou Streaming
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente – 1ª temporada. Produção: Morena Filmes – Thiago Pimentel, Mariza Leão e Tiago Rezende.
Melhor Curta-Metragem de Ficção
Amarela, direção de André Hayato Saito.
Melhor Longa-Metragem de Animação
Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul, de Alê Camargo e Jordan Nugem. Produção: Virginia Limberger, por Sincrocine Produções.
Melhor Série de Animação para TV Aberta ou Streaming
Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma – 3ª temporada. Produção: 44 Toons – Ale McHaddo, Guilherme Machado de Sá e Rafael Reinoso.
Melhor Curta-Metragem de Animação
A Tragédia do Lobo-Guará, direção de Kimberly Palermo.
Melhor Longa-Metragem Documentário
Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa. Produção: Petra Costa, por Busca Vida Filmes.
Melhor Montagem de Documentário
David Barker, Tina Baz, Nels Bangerter, Jordana Berg, Victor Miaciro e Eduardo Gripa, por Apocalipse nos Trópicos.
Melhor Série de Documentário para TV Aberta ou Streaming
Caçador de Marajás – 1ª temporada. Produção: Boutique Filmes – Gustavo Mello; Waking Up Films – Marcelo Campanér e Charly Braun.
Melhor Curta-Metragem Documentário
Sebastiana, direção de Pedro de Alencar.
Melhor Filme pelo Júri Popular
Homem com H, de Esmir Filho. Produção: Marcio Fraccaroli, Andre Fraccaroli e Veronica Stumpf, por Paris Entretenimento.
Melhor Montagem de Ficção
Isabela Monteiro de Castro, por Manas.
Melhor Direção de Fotografia
Evgenia Alexandrova, por O Agente Secreto.

Melhor Efeito Visual
Alexandre Boiron, Luuk Meijer e David Van Heeswijk, por O Agente Secreto.
Melhor Som
Ana Luiza Penna, Martín Grignaschi e Armando Torres Jr., ABC, por Homem com H.
Melhor Direção de Arte
Thales Junqueira, por O Agente Secreto.
Melhor Maquiagem
Martín Macías Trujillo, por Homem com H.
Melhor Figurino
Gabriella Marra, por Homem com H.
Melhor Trilha Sonora
Guilherme Amabis, Mariana Amabis e Rica Amabis, por Homem com H.
