Quatro filmes aparecem entre os principais candidatos à vaga argentina no Oscar - Foto: Divulgação / The Academy
A temporada de premiações começa a ganhar contornos na Argentina antes mesmo da definição de seu representante no Oscar 2027. Com quatro produções apontadas como favoritas para disputar a vaga de Melhor Filme Internacional, o país também prepara uma forte ofensiva nos principais festivais de cinema do mundo nas próximas semanas.
A indicação argentina será definida em setembro, com o anúncio do escolhido marcado para 28 de setembro. Segundo o jornal La Nación, os quatro títulos que aparecem atualmente como principais candidatos são “Parque Lezama”, de Juan José Campanella; “El partido”, de Juan Cabral e Santiago Franco; “Nuestra tierra”, primeiro documentário de Lucrecia Martel; e “La virgen de la tosquera”, de Laura Casabé.
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A movimentação ocorre em uma cinematografia que já conhece o caminho até a principal premiação de Hollywood. A Argentina venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional duas vezes: em 1986, com “A história oficial”, e em 2010, com “O segredo dos seus olhos”, dirigido justamente por Campanella.
Nos últimos anos, porém, o cinema brasileiro ganhou destaque na disputa. “Ainda estou aqui” conquistou a estatueta em 2025, enquanto “O agente secreto” recebeu quatro indicações neste ano. Na atual temporada, o Brasil também definiu uma lista de 15 filmes habilitados a disputar sua vaga no Oscar 2027, com títulos como “Nosso segredo”, de Grace Passô, e “Feito pipa”, de Allan Deberton, vencedores no Festival de Gramado.
Argentina ganha espaço nos festivais internacionais
Antes de saber qual filme será enviado ao Oscar, a Argentina terá uma série de produções apresentadas em eventos internacionais. Veneza, Toronto, Nova York, San Sebastián e Londres estão entre os festivais que receberão obras da nova geração de cineastas argentinos.
Um dos destaques é “Glaxo”, dirigido por Benjamín Naishtat, de “Puan”. O longa fará sua estreia mundial no Festival de Toronto e também será exibido em Londres e San Sebastián. A produção adapta o romance homônimo de Hernán Ronsino e se passa em 1957, acompanhando quatro amigos cuja relação é transformada por uma traição durante um período marcado por instabilidade na Argentina.
Outro projeto de grande escala é “Biografía de Jorge Luis Borges”, de Mariano Llinás. Com cinco horas e meia de duração, o filme percorre diferentes locais relacionados à vida e à obra do escritor argentino. A produção terá passagem por Veneza, Toronto e Nova York.
Também está no circuito internacional “La libertad doble”, de Lisandro Alonso. O longa recupera um personagem apresentado no filme de estreia do diretor e reforça a presença do cinema argentino na programação dos grandes festivais.
Ricardo Darín é destaque em San Sebastián
A presença argentina também será representada por um dos nomes mais conhecidos de seu cinema. Ricardo Darín protagoniza, ao lado de Diego Peretti, “Lo dejamos acá”, dirigido por Hernán Goldfrid.

O filme terá estreia mundial fora de competição no Festival de San Sebastián. Darín interpreta um psicanalista heterodoxo que passa a lidar com um escritor enfrentando um bloqueio criativo.
O ator ainda ocupa posição de destaque na identidade visual da edição do festival, já que aparece no cartaz oficial do evento. Produzido pela Netflix em parceria com a Kenya Films, o longa tem lançamento previsto na plataforma para outubro.
A programação de San Sebastián contará ainda com “Mis muertos tristes”, de Pablo Larraín; “A veces me entra tristeza y otras veces rebelión”, de María Aparicio; e “El fantasma”, de David Lamelas e Ignacio Maslloren.
Quatro filmes disputam a vaga no Oscar
Entre os títulos cotados para representar a Argentina no Oscar, “Parque Lezama” chama atenção pela trajetória de Campanella, vencedor da estatueta em 2010. Já “El partido” revisita um dos episódios esportivos mais emblemáticos da história argentina: a partida contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986.
“Nuestra tierra” marca uma mudança importante na carreira de Lucrecia Martel. Conhecida por trabalhos de ficção, a diretora realiza seu primeiro documentário acompanhando o julgamento relacionado ao assassinato de um líder indígena.
Completa a lista “La virgen de la tosquera”, de Laura Casabé, adaptação de histórias da escritora argentina Mariana Enriquez.
A definição do representante argentino será acompanhada de perto durante uma temporada em que a presença nos festivais pode funcionar como um importante termômetro para a corrida internacional. Com filmes de nomes consagrados e de diretores de diferentes gerações, o país chega ao segundo semestre com uma produção capaz de ocupar espaço tanto no circuito de festivais quanto na disputa pelas principais premiações do cinema.
