Segundo o MPRJ, agentes forneciam armas a criminosos e participavam de esquema que reunia milicianos e traficantes do TCP - Foto: Divulgação
Dois policiais militares foram presos nesta quinta-feira (27) durante uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que investiga uma rede criminosa formada por agentes de segurança, milicianos e traficantes ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP). Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas por envolvimento no esquema, que teria como uma de suas principais atividades o comércio ilegal de armas e munições.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ). Segundo o Ministério Público, a organização reunia integrantes da milícia de Curicica, na Zona Sudoeste do Rio, e traficantes do TCP que atuam nos complexos da Maré e da Pedreira. Os grupos manteriam um acordo de não agressão e cooperação operacional.
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A aliança, de acordo com as apurações, teria interesses comuns na disputa territorial e no enfrentamento de grupos rivais, principalmente o Comando Vermelho (CV). Além da colaboração entre os criminosos, o pacto teria facilitado a circulação de armas, munições e drogas.
PMs são acusados de intermediar venda de armas
Os dois policiais militares denunciados são lotados no 4º BPM (São Cristóvão) e no 2º BPM (Botafogo). Conforme o MPRJ, eles participavam do fornecimento e da intermediação da venda de armamentos destinados tanto à milícia quanto a integrantes do TCP.
Um dos PMs foi localizado e preso dentro do próprio batalhão. O outro foi detido em casa.
A investigação identificou um mercado clandestino de armas com a circulação de fuzis de calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .223, além de pistolas e munições. Para o Ministério Público, a participação dos policiais teria contribuído para abastecer a estrutura bélica das organizações criminosas.
Os mandados foram cumpridos por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar. As medidas foram autorizadas pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, que recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Traficante é acusado de fornecer carros roubados
Entre os 20 denunciados também está um traficante apontado como responsável por uma atividade de apoio logístico aos grupos criminosos. Segundo a investigação, ele participava de roubos de veículos e repassava os carros para integrantes da milícia de Curicica e do TCP.
O fornecimento dos veículos teria ampliado a capacidade de deslocamento e atuação das organizações investigadas.
Milícia de Curicica teria comando dividido
A denúncia do MPRJ aponta ainda uma estrutura organizada dentro da milícia de Curicica. O comando estratégico seria exercido por um criminoso conhecido como Boto ou Redbull, que está preso em um presídio federal.
A parte operacional da organização, segundo a investigação, ficaria sob responsabilidade de outro criminoso, identificado pelos apelidos Messi ou Novinho.
Para a Justiça, a gravidade dos crimes investigados, o poder de fogo atribuído ao grupo e o risco de continuidade das atividades criminosas justificaram a decretação das prisões preventivas. A decisão também considerou necessária a manutenção das medidas para preservar a ordem pública.
