Cantor afirmou que promotora tomou a decisão após casas de shows avisarem que não receberiam o rapper por suas manifestações pró-Palestina - Foto: Instagram
Ed Sheeran afirmou nesta terça-feira (15) que não foi responsável pela retirada de Macklemore da etapa americana de sua turnê. De acordo com o cantor, a promotora decidiu excluir o rapper da programação depois que os locais previstos para receber os shows sinalizaram que não fariam apresentações com ele no elenco.
Macklemore deixou a programação após fazer declarações em defesa da Palestina e dizer “Free Palestine” durante um show realizado em Nova Jersey, no dia 4 de setembro. O episódio provocou repercussão entre artistas e grupos que acompanham o conflito entre Israel e Palestina.
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A Messina Touring Group, responsável pela promoção da etapa americana da Loop Tour, confirmou à revista Rolling Stone que os proprietários dos locais previstos para os próximos shows comunicaram à organização que não permitiriam a realização das apresentações caso Macklemore permanecesse na programação.
Sheeran afirmou respeitar a postura do rapper e sua disposição de se manifestar publicamente sobre aquilo em que acredita. O cantor, no entanto, disse adotar uma abordagem diferente e preferir não utilizar sua plataforma profissional para manifestações políticas.
A decisão de retirar Macklemore também provocou novas baixas na turnê. Na terça-feira, o cantor e compositor irlandês Aaron Rowe, a banda irlandesa Beoga, o grupo dinamarquês Lukas Graham e o músico Finneas anunciaram que não seguiriam nos shows. Os artistas manifestaram apoio a Macklemore e solidariedade aos palestinos.
Histórico de manifestações
Macklemore mantém há anos uma posição pública de apoio aos palestinos e críticas à campanha militar de Israel na Faixa de Gaza e à ocupação da Cisjordânia. Em 2024, ele lançou “Hind’s Hall”, música de protesto dedicada aos manifestantes pró-Palestina e à memória de Hind Rajab, menina palestina de 5 anos que morreu em Gaza.
Após a retirada da turnê, organizações de defesa dos palestinos, artistas e políticos saíram em apoio ao rapper. Para esses grupos, manifestações como as feitas por Macklemore ajudam a chamar atenção para o sofrimento da população palestina.
As declarações, por outro lado, também foram criticadas por grupos pró-Israel e pela cantora americana Pink, que é judia. Os críticos afirmam que manifestações desse tipo em shows podem comprometer a segurança de pessoas judias e pró-Israel que participam dos eventos.
Macklemore também é alvo de críticas por um episódio de 2014, quando usou uma fantasia que incluía peruca preta, barba e um nariz falso considerado semelhante a estereótipos antissemitas. O rapper posteriormente pediu desculpas pelo uso da caracterização.
Na segunda-feira, Macklemore voltou a se manifestar sobre o assunto e negou que seus comentários em shows sejam antissemitas. Segundo ele, associar críticas às ações de Israel ao antissemitismo serviria para evitar a responsabilização do governo israelense por suas ações.
A controvérsia ocorre em meio à preparação da etapa americana da turnê de Sheeran, que agora seguirá sem Macklemore. A decisão sobre a permanência ou retirada do rapper, segundo o cantor britânico, foi tomada pela promotora após os alertas dos locais que receberiam os shows.
