FairSquare questiona regra usada para excluir primeiro mandato da contagem - Foto: Instagram
A permanência de Gianni Infantino no comando da Fifa enfrenta um novo questionamento antes do próximo Congresso da entidade. A organização de direitos humanos FairSquare pediu ao Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade (GACC) que considere o dirigente inelegível para disputar um novo mandato, sob o argumento de que ele já atingiu o limite de três períodos presidenciais estabelecido pelas regras da federação.
Infantino foi eleito pela primeira vez em 2016, após a renúncia de Sepp Blatter. Em 2022, a Fifa aceitou a interpretação de que aquele primeiro período não deveria ser contabilizado no limite de três mandatos, por ter sido iniciado durante um ciclo presidencial interrompido.
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A FairSquare contesta essa decisão. Em carta enviada ao GACC, a entidade afirma que os estatutos da Fifa não permitem excluir o primeiro período da contagem.
“As regras estabelecem claramente que três mandatos presidenciais são o máximo permitido”, afirmou Nicholas McGeehan, diretor da FairSquare, à Reuters.
Segundo McGeehan, a interpretação adotada pela Fifa cria um precedente para ampliar o tempo de permanência de um presidente no cargo.
Eleição está prevista para março de 2027
Infantino é esperado como candidato à reeleição para o ciclo de 2027 a 2031. O Congresso da Fifa está marcado para 18 de março de 2027, no Marrocos, quando os representantes das associações filiadas deverão participar da escolha.
O pedido da FairSquare ocorre em meio a outras críticas à administração do dirigente. Na semana passada, Uefa, Confederação Asiática de Futebol e Concacaf solicitaram uma revisão da conduta de Infantino após a Fifa apresentar uma proposta para criar uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões, cerca de R$ 104 bilhões, destinada a atrair investimentos privados para projetos relacionados às competições da entidade.
Fontes citadas no caso afirmam que as três confederações enxergaram a contestação sobre a candidatura como uma possível saída para Infantino deixar a presidência.
Federação Escocesa não apoiará candidatura
A resistência também chegou a federações nacionais. Ian Maxwell, diretor-executivo da Federação Escocesa de Futebol, afirmou à BBC que a entidade não pretende apoiar a candidatura de Infantino em uma nova eleição presidencial.
Apesar dos questionamentos, o dirigente ainda conta com respaldo de importantes confederações. Entre elas estão a Confederação Africana de Futebol e a Confederação Sul-Americana de Futebol.
O pedido da FairSquare agora coloca a interpretação sobre os mandatos de Infantino sob análise do sistema de governança da própria Fifa, enquanto se aproxima a eleição para definir o comando da entidade a partir de 2027.
