Douglas Ruas reafirmou lealdade ao senador do PL, criticou o resultado presidencial e prometeu governar para todos os fluminenses - Foto: Instagram / Douglas Ruas
O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), afirmou que respeita a decisão dos eleitores após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, mas lamentou a derrota de Flávio Bolsonaro (PL). Em manifestação pública, Ruas reafirmou sua lealdade ao senador, ressaltou o desempenho de seu partido nas urnas e prometeu governar para todos os fluminenses. A declaração ocorre enquanto o político se prepara para assumir o Palácio Guanabara sob investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Ruas elogiou a campanha de Flávio Bolsonaro, a quem atribuiu uma atuação propositiva e sem ataques, e destacou que o senador recebeu mais de 59 milhões de votos em todo o país. Para o governador eleito, o resultado representou uma oportunidade perdida de mudança para o Brasil, embora tenha reconhecido a legitimidade da escolha popular.
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“Na política, a gente precisa ter lado e deixar isso bem claro”, declarou Ruas, ao reafirmar que esteve ao lado de Flávio durante a campanha presidencial e que continuará leal ao senador.
O político também destacou os resultados do PL nas eleições. Segundo ele, a legenda encerrou o pleito com 121 deputados federais, 29 senadores e seis governadores. Ruas afirmou que o partido terá de corresponder à confiança depositada pelos eleitores.
Ao tratar de sua própria eleição, o governador eleito prometeu trabalhar com dedicação para atender às expectativas da população e defender os interesses do estado. Ele ressaltou que pretende governar tanto para quem votou nele quanto para quem escolheu outros candidatos.
“Vou governar para todos os fluminenses”, afirmou. Ao final do pronunciamento, Ruas pediu bênçãos para o Rio de Janeiro e o Brasil.
Assista ao pronunciamento de Douglas Ruas
Douglas Ruas investigado
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) investiga Douglas Ruas por suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa. O procedimento foi instaurado em julho de 2026 pela Procuradoria-Geral de Justiça do estado, após denúncias que apontaram possíveis conflitos de interesses e enriquecimento ilícito.
A apuração se concentra na evolução patrimonial e financeira de duas empresas ligadas ao político: a Saur Construção, Terraplanagem e Locação e a DM Invest Consultoria e Participações. Segundo reportagens da Folha de S.Paulo, as empresas e pessoas ligadas a Ruas realizaram aquisições imobiliárias e de precatórios que, somadas, ultrapassariam R$ 16 milhões nos últimos anos.
O Ministério Público apura se houve irregularidades nas operações e se o crescimento dos negócios tem relação com a trajetória política de Ruas, que comandou a Secretaria estadual de Cidades entre setembro de 2023 e março de 2026. O período também coincide com a gestão de seu pai, Capitão Nelson (PL), na Prefeitura de São Gonçalo.
Outra frente envolve uma auditoria sobre contratos da Secretaria de Cidades durante a gestão de Ruas. Entre os pontos analisados está um aditivo de 45% no valor de um contrato de obras de asfalto, formalizado 17 dias após o início de sua execução. A auditoria também mencionou uma empresa ligada à família do deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), que teria fornecido insumos a uma companhia contratada para executar serviços.
Ruas nega irregularidades e afirma que separa suas atividades empresariais da atuação política. Em declarações anteriores, disse acreditar que a investigação será arquivada e afirmou estar à disposição dos órgãos de controle. Também declarou que suas empresas não possuem contratos com órgãos públicos.
A existência da investigação não significa que o político tenha sido condenado ou que as suspeitas estejam comprovadas. O caso tramita na Justiça estadual, e a definição sobre a competência para conduzir a apuração pode ser discutida em razão da eleição e da futura posse de Ruas como governador.
Governador eleito no Rio
Douglas Ruas teve a vitória confirmada após uma recontagem dos votos do primeiro turno das eleições estaduais. A mudança ocorreu depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a anulação de 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), cujo registro de candidatura foi indeferido.
Na apuração inicial, Ruas havia recebido 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes (PSD), então prefeito do Rio e adversário do candidato do PL, somou 3.706.984 votos, ou 42,76%. Com a retirada dos votos de Garotinho da contagem válida, Ruas passou a superar a marca de 50% necessária para vencer no primeiro turno.

Após a retotalização realizada pela Justiça Eleitoral, em outubro, o candidato do PL alcançou 50,88% dos votos válidos, enquanto Paes ficou com 44,16%. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) proclamou Ruas governador eleito.
O resultado, porém, passou a ser contestado judicialmente. O PSD recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar restabelecer a realização de um segundo turno entre Ruas e Paes. A ação foi distribuída ao ministro Cristiano Zanin, e a disputa sobre a validade do resultado passou a integrar a agenda política fluminense.
A proclamação de Ruas como eleito decorre da decisão da Justiça Eleitoral sobre a validade dos votos. A contestação apresentada pelo PSD é uma discussão jurídica separada e não altera, por si só, o resultado proclamado.
