Canal TN afirma que senador teria entrado no país vizinho à noite; autoridades migratórias negam registro de entrada - Foto: Divulgação / Charles Vieira
O canal de televisão argentino Todo Noticias (TN) afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria atravessado a pé a fronteira entre o Brasil e a Argentina na noite de segunda-feira (26), levando um documento. A informação foi divulgada nesta terça-feira (27), em meio às investigações da Polícia Federal (PF) para esclarecer se o parlamentar deixou o território brasileiro. Até o momento, não há confirmação oficial de que ele tenha entrado no país vizinho.
Durante a transmissão, jornalistas do TN relataram que a suposta entrada teria ocorrido entre 21h e 22h. Segundo a emissora, a previsão inicial era que Flávio seguisse de Puerto Iguazú para os Estados Unidos em uma aeronave particular. A divulgação antecipada dessa possibilidade, no entanto, teria provocado uma mudança de planos, com o cancelamento da ida ao aeroporto. Desde então, o paradeiro do senador não foi confirmado publicamente.
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Apesar das informações divulgadas pela imprensa argentina, a Direção Nacional de Migrações do país informou que não possui registro de entrada de Flávio Bolsonaro. O secretário de imprensa do presidente Javier Milei também negou que o senador tenha ingressado na Argentina, segundo a Bloomberg.
Flávio Bolsonaro habría entrado caminando a la Argentina, con documentos, entre las 21 y las 22. No se sabe dónde está. Eleonora Cole describe cómo habría sido el mecanismo https://t.co/X4QxJ4O1gy https://t.co/exyxamALH8
— TN – Todo Noticias (@todonoticias) October 27, 2026
Outro ponto citado nas reportagens é a aeronave de matrícula LV-JQW, que estaria relacionada ao possível deslocamento. Em consulta ao Flightradar24 às 9h43 desta terça-feira, o avião permanecia em Puerto Iguazú, após ter realizado uma viagem partindo de Buenos Aires na véspera. A Baires Fly, apontada como operadora da aeronave, negou ao jornal Valor Econômico que estivesse transportando o senador.
No Brasil, as primeiras verificações da Polícia Federal não identificaram registros de passagem de Flávio pelos postos regulares de controle migratório. A corporação mantém contato com autoridades argentinas para esclarecer se houve entrada no país vizinho. A assessoria do parlamentar nega que ele tenha viajado para fora do Brasil, mas não havia informado publicamente sua localização até a publicação desta reportagem.
Segundo a jornalista Malu Gaspar, da GloboNews, o senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-coordenador político da campanha de Flávio, relatou ter conversado com o aliado por mensagem durante a manhã. Na ocasião, o parlamentar teria afirmado que estava “esfriando a cabeça”, sem revelar onde se encontrava.
Moraes proibiu senador de deixar o Brasil
A suspeita de uma possível saída do país surgiu um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes comuns e diplomáticos à Polícia Federal em até 24 horas. A decisão também proibiu o senador de deixar o território nacional e de manter contato com o advogado Willer Tomaz.
Na segunda-feira (26), Flávio publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que havia sido intimado pela PF ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Segundo o senador, os agentes estavam na entrada do imóvel quando ele recebeu a ordem judicial.
Embora tenha declarado que cumpriria a determinação, Flávio ainda não havia entregado os passaportes até as 11h desta terça-feira, horário estabelecido como limite pela decisão. No vídeo, ele classificou a medida como uma tentativa de intimidação, afirmou que nunca pensou em deixar o Brasil e disse que se defenderia do que chamou de “aberração”.
A ordem de Moraes está relacionada a um inquérito que investiga uma suposta ligação entre Flávio e Willer Tomaz em um esquema envolvendo empresas do advogado e apostas esportivas. O processo tramita sob sigilo judicial. Ambos reconhecem a amizade, mas negam sociedade e qualquer irregularidade.
Caso Dark Horse também está sob investigação
O senador também é investigado no caso conhecido como Dark Horse, que envolve uma suposta transferência de aproximadamente R$ 61 milhões feita por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar a produção de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Vorcaro está preso.
A Polícia Federal apura possíveis crimes relacionados à operação, incluindo lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A defesa de Flávio sustenta que a doação seguiu os procedimentos legais, ocorreu entre entes privados e não envolveu recursos públicos.
O governo argentino foi procurado pela reportagem para esclarecer se Flávio Bolsonaro está no país e informar a situação da aeronave citada pelo Infobae, mas não havia respondido até a publicação desta matéria.
