Polícia Federal apura paradeiro do senador, enquanto autoridades argentinas verificam possível entrada no país - Foto: Reprodução / Redes Sociais
A Polícia Federal (PF) investiga o paradeiro do senador Flávio Bolsonaro (PL) após informações de que ele teria deixado o Brasil pela fronteira com a Argentina. A suspeita foi divulgada pelo site argentino Infobae na madrugada desta terça-feira (27), dois dias após a derrota do parlamentar nas eleições de domingo (25). Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que ele tenha entrado no país vizinho.
As primeiras verificações realizadas pela PF não identificaram registros de passagem do senador por postos regulares de controle migratório brasileiros. As autoridades mantêm contato com os órgãos argentinos para esclarecer se houve ingresso no território do país vizinho. O secretário de imprensa do presidente argentino, Javier Milei, também negou, segundo a Bloomberg, que Flávio tenha entrado na Argentina.
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A reportagem do Infobae mencionou uma aeronave de matrícula LV-JQW, que teria relação com o possível deslocamento. Em consulta realizada às 9h43 desta terça-feira ao site Flightradar24, que acompanha voos pelo mundo, o avião continuava em Puerto Iguazú, na Argentina, após uma viagem realizada na véspera a partir de Buenos Aires. A empresa Baires Fly, apontada como operadora da aeronave, negou ao jornal Valor Econômico que estivesse realizando um voo para transportar o senador. “Não há nada, pelo menos conosco”, afirmou um representante da companhia.
A assessoria de Flávio nega que ele tenha viajado para fora do Brasil, mas ainda não havia confirmado publicamente onde o parlamentar estava nesta terça-feira. Segundo a jornalista Malu Gaspar, da GloboNews, Rogério Marinho (PL-RN), ex-coordenador político da campanha do senador, relatou ter conversado com o aliado por mensagem durante a manhã. Na ocasião, Flávio teria dito que estava “esfriando a cabeça”, sem informar o local em que se encontrava.
Moraes proibiu senador de deixar o país
A suspeita de uma possível saída do Brasil surgiu um dia após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes comuns e diplomáticos no prazo de 24 horas. A decisão também proibiu o senador de deixar o território nacional e de manter contato com o advogado Willer Tomaz.
Na segunda-feira (26), Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal enquanto deixava a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Segundo o senador, os agentes estavam na entrada do imóvel quando ele recebeu a ordem para entregar os documentos.
Apesar de afirmar que cumpriria a determinação judicial, Flávio não entregou os passaportes à Polícia Federal até as 11h desta terça-feira, horário limite estabelecido pela decisão. No pronunciamento publicado na véspera, o parlamentar classificou a medida como uma tentativa de intimidação e declarou que nunca pensou em deixar o país. Ele também disse que se defenderia do que chamou de “aberração”.
A ordem de Moraes está relacionada a um inquérito que investiga uma suposta ligação entre Flávio e Willer Tomaz em um esquema envolvendo empresas do advogado e apostas esportivas. O processo tramita sob sigilo de Justiça. Os dois reconhecem a amizade, mas negam que sejam sócios e rejeitam qualquer irregularidade.
Senador também é investigado no caso Dark Horse
Além desse inquérito, Flávio é investigado no caso conhecido como Dark Horse, que envolve uma suposta transferência de aproximadamente R$ 61 milhões por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar a produção de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Vorcaro está preso.
A Polícia Federal apura possíveis crimes relacionados à operação, entre eles lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A defesa do senador sustenta que a doação seguiu os procedimentos legais, ocorreu entre entes privados e não envolveu recursos públicos.
Enquanto as investigações prosseguem, a PF tenta esclarecer se Flávio Bolsonaro deixou efetivamente o Brasil e se houve deslocamento para a Argentina. O governo argentino foi procurado pelo Portal para informar se o senador está no país e esclarecer a situação da aeronave citada na reportagem do Infobae, mas não havia respondido até a publicação desta matéria.
