Senador recebeu autorização humanitária para entrar nos Estados Unidos e enfrenta duas investigações por suspeita de lavagem de dinheiro - Foto: Instagram
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Flávio Bolsonaro poderá permanecer em território americano pelo tempo que desejar. A declaração, feita na noite de sábado (31), durante uma festa de Halloween em seu clube particular Mar-a-Lago, na Flórida, ocorre em meio ao desgaste nas relações diplomáticas entre Washington e Brasília após a derrota e fuga do candidato brasileiro nas eleições presidenciais.
“Ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser”, disse Trump a jornalistas, ao comentar a situação do senador brasileiro. Na mesma ocasião, o republicano voltou a questionar o resultado eleitoral que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificando o pleito como uma “desgraça”. Observadores internacionais, no entanto, consideraram as eleições livres e justas.
- Solidariedade: campanha arrecada doações para ajudar cães e gatos da Suipa
- Vídeo: jato particular explode ao cair em parque de trailers nos Estados Unidos
- PF deflagra operação contra tráfico internacional de drogas em Copacabana
- Hugo Motta quer aprovar voto distrital e novas regras para redes sociais em 2026
- Novas regras do vale-refeição e alimentação entram em vigor em novembro; veja o que muda
Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil depois de perder a disputa presidencial para Lula, apesar de aparecer à frente em grande parte das pesquisas de intenção de voto. Sua saída ocorreu após uma decisão de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a retenção de seu passaporte. O político também é alvo de duas investigações federais no Brasil relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro. Na ocasião, autoridades policiais consideraram que ele poderia tentar fugir do país.
Segundo informações, o brasileiro entrou nos Estados Unidos por meio de uma autorização humanitária de permanência, conhecida como humanitarian parole (Liberdade Condicional Humanitária). Esse mecanismo migratório costuma ter validade de apenas um ano, embora a declaração de Trump indique disposição para permitir que ele continue no país.
Apesar do gesto em relação ao senador, o presidente americano afirmou que não pretende se encontrar com ele. Além disso, fontes ouvidas pela Reuters indicaram que Trump não tem planos, neste momento, de apoiar as ambições políticas de Flávio Bolsonaro, que já se apresentou como o legítimo líder do Brasil.
Encontro com Marco Rubio
Enquanto Trump fazia as declarações, representantes dos dois países também mantinham contatos diplomáticos. No sábado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, informou que conversou com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante uma reunião do G20 em Atlanta. Segundo Rubio, os dois devem voltar a se encontrar nas próximas semanas, durante uma reunião de chanceleres do G7, na França. O Brasil deverá participar do encontro na condição de observador.
Rubio também declarou que o governo americano não participou diretamente das movimentações que levaram à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil no início daquela semana. A afirmação, porém, contrasta com relatos publicados pela Reuters e por outros veículos de comunicação, segundo os quais Jason Miller, integrante da equipe da Casa Branca, teria ajudado a organizar a viagem do brasileiro.
O episódio ocorre em um momento de tensão política envolvendo as famílias Bolsonaro e Lula. Jair Bolsonaro, pai de Flávio e ex-presidente brasileiro, está preso no país por participação em uma trama golpista após perder a tentativa de reeleição em 2022. Lula, por sua vez, também esteve preso por 17 meses, entre 2018 e 2019, em decorrência de condenações por corrupção que posteriormente foram anuladas.
Procurado pelo Portal, o Itamaraty e a Embaixada do Brasil em Washington não haviam respondido, até a publicação desta reportagem, aos pedidos de manifestação sobre a declaração de Donald Trump.
