Presidente da China apresenta propostas para integrar mercados e fortalecer cadeias de produção entre países do Sul Global - Foto: Divulgação / Xinhua
O presidente da China, Xi Jinping, defendeu neste domingo (13) uma aproximação econômica maior entre os países que integram o Brics e seus parceiros. Durante a cúpula do grupo em Nova Délhi, na Índia, o líder chinês apresentou propostas voltadas à inteligência artificial (IA), ao comércio, aos investimentos e à transformação digital, em uma tentativa de ampliar a cooperação prática entre as economias emergentes do chamado Sul Global.
Para Xi, o avanço do chamado “Grande Brics” depende da criação de uma base mais sólida para projetos conjuntos. O presidente chinês defendeu a manutenção de cadeias industriais e de abastecimento estáveis, além da formação de um mercado mais integrado entre os países participantes. A ideia é aproveitar a presença do grupo em diferentes regiões do mundo para ampliar as relações econômicas e tecnológicas.
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Entre as propostas apresentadas está a criação de uma comunidade de inteligência artificial de código aberto do Brics. A China pretende liderar a iniciativa, que prevê cooperação no desenvolvimento e na aplicação de grandes modelos de linguagem, além da realização de seminários e treinamentos especializados e da formação de um ecossistema aberto de IA.
Na área econômica, Xi propôs uma parceria para a criação de uma Zona Econômica Especial do Brics. A iniciativa prevê, entre outros pontos, a criação de mecanismos para facilitar a integração e a coordenação de políticas entre os países. A China também anunciou que sediará, no próximo ano, um Fórum de Comércio de Serviços do Brics com o objetivo de estimular negócios e investimentos.
A agenda apresentada pelo presidente chinês também inclui a criação de uma plataforma de nuvem para um ecossistema digital do Brics, treinamento em habilidades digitais, intercâmbio tecnológico e maior integração industrial. As propostas fazem parte de um pacote de cinco iniciativas apresentado por Xi, que também contempla manufatura inteligente e desenvolvimento de talentos.
Expansão do bloco
O Brics atual é maior do que a formação original criada por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O grupo passou a incluir Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos, ampliando sua presença na Ásia, África, Oriente Médio e América Latina. O bloco também conta com países parceiros de diferentes regiões do Sul Global.
A Índia ocupa a presidência do Brics em 2026, enquanto a China deverá assumir o comando do grupo em 2027. A ampliação da cooperação econômica está entre os principais temas discutidos durante o encontro, ao lado de questões políticas, de segurança e de finanças.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, defendeu anteriormente que as iniciativas desenvolvidas pelo Brics possam beneficiar também países de fora do bloco. Já o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o grupo pode atuar como uma força para a construção de uma ordem mundial multipolar e pediu maior integração entre as vantagens econômicas dos diferentes integrantes.
Conflito no Oriente Médio
A agenda econômica foi discutida em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. A cúpula ocorreu durante a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, enquanto a atuação dos houthis, grupo apoiado pelo governo iraniano, ampliou a tensão na região do Golfo.
Apesar das divergências entre os integrantes, o Brics conseguiu aprovar no sábado (12) uma declaração conjunta sobre a situação. O documento manifestou preocupação com o aumento das tensões no Oriente Médio e pediu “máxima moderação”, além de defender o diálogo, a consulta e a diplomacia como caminhos para a solução de disputas internacionais.
A aprovação do texto teve relevância diplomática porque o Brics reúne, entre seus integrantes, o Irã e os Emirados Árabes Unidos, que mantêm posições distintas diante do conflito regional. O consenso também ocorreu em um momento de impacto sobre comércio, energia e cadeias de abastecimento internacionais.
Paralelamente à cúpula, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, se reuniu com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. O encontro foi o contato de mais alto nível entre representantes dos dois países desde o início do conflito. As conversas trataram da redução das tensões, da estabilidade regional e de iniciativas voltadas à paz e ao desenvolvimento no Oriente Médio.
